23/Oct/2026
O plantio da safra brasileira de soja 2026/27 avança acima da média histórica, mas enfrenta condições climáticas distintas entre as regiões produtoras. No Paraná, o excesso de chuva reduz as janelas disponíveis para a semeadura e dificulta a entrada de máquinas nas lavouras. Em parte de Mato Grosso, maior produtor nacional, a irregularidade das precipitações mantém a umidade do solo abaixo do necessário para assegurar a germinação e o estabelecimento inicial das plantas. O cenário ocorre em um mês marcado por chuvas intensas na Região Sul, que chegaram a multiplicar por dez o volume de água nas Cataratas do Iguaçu. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou que 30,1% da área prevista para a soja estava semeada entre 10 e 16 de outubro, ante 21,4% em igual período de 2025 e média de 26,4% nas últimas cinco safras.
Em Mato Grosso, o plantio alcançou 60,8% da área, acima da média histórica de 47,4%, avanço associado pela estatal às chuvas. Consultorias meteorológicas, porém, observam que as precipitações ainda não foram suficientes para recompor a umidade do solo em parte do Estado, o que mantém a necessidade de acompanhamento das condições de campo. Segundo a Ampere Meteorologia, episódios de chuva têm sido seguidos por períodos secos e temperaturas elevadas, favorecendo a evaporação da água acumulada. Na maior parte de Mato Grosso, ainda são necessários entre 25 e 45 milímetros de chuva para melhorar a disponibilidade hídrica do solo. A manutenção da umidade na camada superficial após a semeadura é essencial para a germinação e o estabelecimento das plantas. Quando essa camada seca, aumenta o risco de falhas de emergência e da necessidade de replantio em parte da área.
A EarthDaily Agro também identifica recuperação incompleta da umidade, sobretudo nas regiões central e leste de Mato Grosso. A melhora começou recentemente, mas ainda persiste déficit hídrico. A previsão da consultoria é de continuidade das chuvas e recuperação gradual das condições nas próximas semanas. A avaliação de eventuais perdas de produtividade, entretanto, exige cautela. Segundo a EarthDaily Agro, as condições de chuva e umidade observadas no mesmo período de 2025 foram semelhantes às atuais, e a produtividade mato-grossense na safra passada ficou próxima da média. Os indicadores de vegetação obtidos por satélite também não apontam sinais claros de deterioração em relação a outras temporadas. Esses dados auxiliam no monitoramento do vigor das plantas, mas não permitem identificar isoladamente falhas de emergência ou determinar a necessidade de replantio, que depende de avaliações diretamente nas propriedades.
Em Goiás, a EarthDaily Agro identificou melhora da umidade, enquanto a Ampere considera que a recuperação ainda é frágil em parte das áreas. De acordo com a Conab, a semeadura alcançou 26% da área prevista no Estado, acima da média histórica de 19,4%. Em Mato Grosso do Sul, o excesso de umidade é o principal obstáculo ao avanço das operações. A Conab registrou 28% da área semeada, abaixo da média histórica de 35,2%, e relatou suspensão temporária do plantio na maior parte do Estado devido ao encharcamento do solo. No sul sul-mato-grossense, as plantas apresentaram amarelecimento, enquanto no norte e no nordeste, onde as chuvas foram mais esparsas, as operações avançaram. Na Região Sul do Brasil, a recorrência das precipitações mantém os solos úmidos por períodos prolongados, dificultando em alguns momentos a entrada de máquinas e o avanço da semeadura.
No Paraná, o plantio atingiu 39% da área prevista, próximo da média histórica de 39,6%, e a Conab descreveu lavouras com bom desenvolvimento. Apesar disso, há relatos de danos localizados, como amarelecimento das plantas, morte em áreas encharcadas e apodrecimento de raízes. Em Mato Grosso do Sul, também foram identificados riscos associados à erosão e ao arraste de sementes e fertilizantes pela água, com possibilidade de replantio em áreas específicas. A extensão dos problemas varia entre propriedades e até mesmo entre talhões de uma mesma lavoura, conforme levantamento da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS). Até o momento, a EarthDaily Agro identifica como principal impacto no Sul as dificuldades operacionais para a semeadura. A confirmação de danos nas áreas já plantadas depende de informações coletadas diretamente no campo.
No Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a principal preocupação é o retorno regular das chuvas. A Ampere identificou acumulados entre 50 e 80 milímetros abaixo da média em áreas de Tocantins e do sul do Maranhão. A EarthDaily Agro, por sua vez, avalia que o calendário agrícola ainda não indica atraso generalizado. Até 16 de outubro, a Bahia havia semeado 14% da área prevista, ante média histórica de 6%, enquanto Maranhão, Tocantins e Piauí ainda não apresentavam plantio iniciado na planilha da Conab. Para o período até 26 de outubro, a previsão da Conab indica novos temporais na Região Sul do Brasil, com acumulados entre 70 e 150 milímetros e volumes pontuais superiores a 200 milímetros. No Pará e em Tocantins, as chuvas devem ocorrer de forma localizada, mantendo restrições ao avanço da semeadura da soja. A distribuição das precipitações nas próximas semanas será determinante para a continuidade do plantio, a recuperação da umidade em áreas de Mato Grosso e a avaliação de eventuais perdas nas lavouras já implantadas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.