23/Oct/2026
Um estudo inédito da Universidade Federal de Viçosa (UFV), desenvolvido em cooperação técnico-científica com a CropLife Brasil, indica que a ausência de controle de pragas, doenças e plantas daninhas na cultura da soja poderia provocar perdas expressivas de produtividade, reduzir a oferta do grão e pressionar os preços dos alimentos e a inflação. Em um cenário extremo sem manejo fitossanitário, a perda média simulada alcança 121,3 milhões de toneladas, com valor econômico estimado em R$ 223,5 bilhões. Na situação mais crítica analisada, a redução da oferta em relação à produção potencial chega a cerca de 65% nos principais Estados avaliados. Nesse cenário, a alta estimada no preço da soja pode atingir 49%. Considerando os efeitos sobre os alimentos incluídos na análise, o modelo projeta uma contribuição de aproximadamente 0,26% ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A metodologia converteu as perdas de produtividade em reduções da oferta e, com base em elasticidades calibradas a partir de dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), estimou os efeitos sobre o preço da soja e o repasse aos alimentos, considerando o peso de cada item no IPCA. Segundo o estudo, uma elevação de 10% no preço da soja poderia resultar em aumentos de 4,6% no óleo de soja, 1,7% no leite e 1,1% nos ovos. Os resultados representam uma simulação de cenário extremo, e não uma previsão de comportamento dos preços. Os impactos econômicos decorrem da importância da soja na cadeia de alimentos. O grão é matéria-prima para a produção de óleo, enquanto o farelo é utilizado na alimentação animal.
Dessa forma, alterações no preço da soja podem afetar os custos de produção de leite, ovos e carnes, ampliando os efeitos de eventuais perdas agrícolas sobre os preços ao consumidor. O relatório completo também avaliou os impactos sobre as exportações e a demanda por terra. Para repor o volume perdido em um cenário sem controle fitossanitário, seriam necessários 33,5 milhões de hectares adicionais, considerando a produtividade média de referência. A área equivale à extensão territorial do Estado de Goiás, evidenciando a dimensão do impacto potencial da redução de produtividade sobre a necessidade de expansão da área cultivada. A CropLife Brasil destaca que o manejo integrado é fundamental para a sustentabilidade e a eficiência da produção agrícola em regiões tropicais, nas quais as condições climáticas favorecem desafios fitossanitários.
A entidade também aponta que gargalos regulatórios e restrições às ferramentas disponíveis podem limitar a capacidade dos produtores de enfrentar pragas, doenças e plantas daninhas. Nesse contexto, a aprovação de novas soluções e a reavaliação das existentes são consideradas importantes para ampliar as alternativas de controle, conciliando rigor científico e agilidade regulatória com as particularidades da agricultura tropical. O estudo combinou dados oficiais de produção, informações sobre a ocorrência de agentes bióticos e modelos de danos fundamentados na literatura científica. A análise foi complementada por simulações estocásticas para estimar os efeitos sobre a produtividade e suas repercussões econômicas. Foram realizadas 10 mil simulações por Estado, considerando três condições: ausência de controle, controle parcial e controle ótimo.
No cenário de controle parcial, as medidas fitossanitárias reduziriam em 40% os danos estimados na ausência de manejo. No controle ótimo, a redução considerada seria de 80%. Com esses parâmetros, a perda média simulada em relação à produção potencial diminui de 121,3 milhões de toneladas no cenário extremo para 72,8 milhões de toneladas no controle parcial e 24,3 milhões de toneladas no controle ótimo. Formalizada em setembro de 2025, a parceria entre a UFV e a CropLife Brasil prevê a realização de estudos sobre outras culturas relevantes para a agricultura brasileira. A iniciativa busca ampliar a compreensão dos impactos econômicos das perdas fitossanitárias e da importância das estratégias de manejo para a produtividade, a oferta de alimentos e os custos de produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.