23/Oct/2026
A oferta restrita de óleo de soja nos Estados Unidos limita o espaço para novas quedas dos preços na Bolsa de Chicago, mas o aumento da demanda por biocombustíveis não deve ser suficiente para sustentar uma nova rodada de valorização. A avaliação é da Stag International, que projeta os contratos futuros entre US$ 0,64 e US$ 0,69 por libra-peso, equivalentes a aproximadamente US$ 1.411,00 a US$ 1.521,00 por tonelada. O cenário combina estoques reduzidos do óleo vegetal com a desvalorização dos créditos ambientais utilizados no mercado norte-americano de combustíveis renováveis. Os estoques de óleo de soja ficaram abaixo das expectativas em setembro. A Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (NOPA) registrou 1,05 bilhão de libras-peso entre seus associados no fim do mês. Considerando toda a indústria, os estoques são estimados em aproximadamente 680 mil toneladas.
Apesar da oferta menor, os contratos futuros apresentaram pouca reação. Um dos fatores que limitam a valorização é a queda dos RINs D4, créditos ambientais gerados pela produção de biodiesel e diesel renovável nos Estados Unidos e utilizados pelas empresas para cumprir as metas federais de combustíveis renováveis. A desvalorização desses créditos reduz a remuneração adicional associada à produção de biocombustíveis e enfraquece um dos mecanismos de transmissão de uma demanda maior para os preços do óleo de soja. A queda dos RINs D4 ocorre em um contexto de melhora da competitividade econômica dos combustíveis renováveis. A alta do diesel derivado de petróleo, sustentada pelas tensões geopolíticas envolvendo o Irã, favorece o biodiesel e o diesel renovável em relação ao combustível fóssil. Com melhores condições de rentabilidade, a produção de biocombustíveis aumenta, ampliando também a geração de créditos ambientais. O crescimento da oferta desses papéis exerce pressão sobre suas cotações, mesmo com a demanda por combustíveis renováveis em expansão.
Em setembro, a geração de RINs D4 aumentou 10,1% em relação a agosto, para 788 milhões de créditos. No acumulado de 2026, o volume alcançou 6,16 bilhões, cerca de 19% acima do registrado em igual período de 2025. Para a Stag, esses números reforçam a interpretação de que a queda dos créditos está associada à melhora das condições econômicas para produzir biocombustíveis, e não necessariamente ao enfraquecimento da demanda por esses combustíveis. Outro indicador relevante é o spread BO-HO, que compara o custo do óleo de soja com o preço do diesel de petróleo. Quanto menor essa diferença, mais competitivo se torna o uso do óleo vegetal na fabricação de biocombustíveis. Em 18 de setembro, o indicador atingiu o menor nível desde maio de 2019. No mesmo período, os preços dos créditos D4 recuaram 16%, refletindo a combinação entre maior atratividade da produção de combustíveis renováveis e expansão da oferta de créditos. Os RINs D4 poderão se aproximar de US$ 1,70 por unidade caso a geração mensal permaneça entre 770 milhões e 800 milhões de créditos e a relação entre os preços do óleo de soja e do diesel continue favorável à produção de biocombustíveis.
A trajetória desses créditos será importante para determinar a rentabilidade das usinas de biodiesel e diesel renovável e, indiretamente, a intensidade da demanda por óleos vegetais. O mercado também está sujeito a mudanças regulatórias. Em 13 de outubro, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) propôs redistribuir 770 milhões de créditos relacionados a isenções concedidas a pequenas refinarias. Uma das alternativas prevê dividir esse volume entre 2026 e 2027; a outra considera transferi-lo integralmente para 2027. Na segunda hipótese, parte da demanda por créditos prevista para 2026 seria adiada, ampliando a pressão sobre as cotações dos RINs no curto prazo. Para o óleo de soja, entretanto, não há projeção de uma queda de magnitude equivalente à observada nos créditos ambientais. Os estoques domésticos permanecem relativamente baixos e funcionam como um fator de sustentação dos preços. Mesmo após reduzir sua estimativa de esmagamento de soja em outubro, a empresa não prevê uma nova redução expressiva dos estoques em relação a setembro.
Uma interrupção adicional no processamento, contudo, diminuiria ainda mais a disponibilidade do óleo e poderia limitar o potencial de desvalorização. O mercado norte-americano, portanto, permanece condicionado por forças em sentidos opostos. De um lado, o aumento da produção de biocombustíveis sustenta o consumo de óleo de soja. De outro, essa mesma expansão amplia a geração de créditos ambientais, reduzindo seu valor e limitando o incentivo econômico adicional para a atividade. Ao mesmo tempo, os estoques reduzidos do óleo vegetal dificultam uma queda mais acentuada das cotações. Nesse contexto, a Stag considera limitado o espaço tanto para uma valorização expressiva quanto para uma correção acentuada dos preços. A projeção permanece entre US$ 0,64 e US$ 0,69 por libra-peso. A análise indica que o crescimento da demanda por biocombustíveis não se traduz necessariamente em valorização proporcional do óleo de soja, pois a formação dos preços depende também da disponibilidade do produto, do esmagamento, da rentabilidade dos combustíveis renováveis e das condições regulatórias do mercado norte-americano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.