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23/Oct/2026

Biodiesel: B16 pode impulsionar demanda em 2027

Segundo projeções da StoneX, a demanda por biodiesel no Brasil pode alcançar 11 bilhões de litros em 2027, caso o governo avance com o aumento da mistura obrigatória ao diesel fóssil de B15 para B16 a partir de março. Nesse cenário, as vendas do biocombustível poderão crescer até 7% em relação a 2026. Se o mandato permanecer em 15%, o crescimento estimado será de 1,2%, com vendas de 10,43 bilhões de litros no próximo ano. A perspectiva de expansão depende de decisões regulatórias. Os testes para avaliar a viabilidade de elevar a mistura obrigatória até B20 devem ser concluídos em fevereiro de 2027, mas ainda não há sinalização clara do governo sobre a adoção do B16. Apesar da incerteza quanto ao cronograma, a indústria apresenta capacidade para atender ao aumento do mandato. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a capacidade de produção de biodiesel deve passar de 51,8 bilhões de litros por dia no fim de 2026 para 55,92 bilhões de litros diários em 2027, avanço de 7,9%.

Mesmo com a perspectiva de crescimento das vendas, a capacidade ociosa média do setor poderá alcançar 40%, indicando que parte relevante da estrutura produtiva permanecerá sem utilização. A evolução da mistura obrigatória também deverá afetar diretamente a demanda por matérias-primas, sobretudo o óleo de soja, principal insumo utilizado na produção nacional de biodiesel. Caso o mandato de B15 seja mantido, a demanda pelo óleo deverá somar 8,27 milhões de toneladas em 2027. Com a adoção do B16 a partir de março, o volume poderá se aproximar de 8,75 milhões de toneladas, elevando a participação do produto entre as matérias-primas empregadas na fabricação do biocombustível para 85,3%. Dados da ANP indicam que o óleo de soja respondeu por cerca de 85% da produção de biodiesel, com crescimento de 8,2% em relação a 2025. A competitividade do insumo e a capacidade da indústria de esmagamento de atender ao aumento da demanda favorecem a manutenção dessa participação elevada.

Outras matérias-primas também deverão registrar expansão de volume, mas apresentam menor competitividade em comparação com o óleo de soja. Para 2026, a StoneX revisou ligeiramente para baixo a estimativa de crescimento da demanda por biodiesel, de 5,7% para 5,6%, mantendo a projeção de vendas em 10,3 bilhões de litros. Entre janeiro e agosto, o volume comercializado totalizou 6,77 bilhões de litros, aumento de 7,2% na comparação anual. O resultado foi impulsionado pela expansão da demanda por diesel B e, principalmente, pela elevação da mistura obrigatória de B14 para B15 ao longo do período de comparação. Em agosto, contudo, as vendas de biodiesel ficaram 0,2% abaixo do volume registrado no mesmo mês de 2025, quando o mandato de B15 já estava em vigor. A expectativa é que o recuo seja pontual, com retomada do crescimento da demanda por diesel B nos meses seguintes. O pico mensal de vendas de biodiesel é estimado em 955 milhões de litros em outubro.

Os preços do biocombustível também apresentam recuperação. Desde julho, o biodiesel no mercado interno acumulou valorização estimada de 7,3%, enquanto o óleo de soja subiu 10% no mesmo intervalo, considerando a referência do interior de Mato Grosso. O encarecimento da matéria-prima e a sazonalidade das vendas podem contribuir para a continuidade da valorização do biodiesel. A eventual adoção do B16, portanto, poderá ampliar o mercado interno de biodiesel em 2027 e elevar a demanda por óleo de soja, reforçando a conexão entre as políticas de mistura de combustíveis, a indústria de biocombustíveis e o complexo agroindustrial da soja. A concretização desse cenário, entretanto, dependerá da decisão regulatória do governo e da evolução da demanda por diesel B. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.