21/Oct/2026
Segundo a Standard Grain, a China retomou o ritmo de recebimento de soja dos Estados Unidos, mas o avanço das compras já parece amplamente incorporado às cotações dos contratos futuros na Bolsa de Chicago. Na semana encerrada em 15 de outubro, os Estados Unidos embarcaram cerca de 2 milhões de toneladas da oleaginosa, das quais aproximadamente 1,3 milhão de toneladas tiveram a China como destino. As inspeções de soja norte-americana para exportação somaram 74 milhões de bushels, equivalentes a aproximadamente 2,01 milhões de toneladas, alta de 80% ante a semana anterior e de 26% em relação ao mesmo período do ano passado. A China foi o principal destino dos embarques. O avanço dos fluxos físicos indica que as compras chinesas estão se convertendo em entregas efetivas, além dos compromissos comerciais anunciados.
As vendas também continuaram avançando. Na segunda-feira (19/10), exportadores dos Estados Unidos negociaram mais de 109 mil toneladas, diretamente com a China, além de 272 mil toneladas, para destinos não revelados. Com as aquisições registradas, a China atingiu 51% das 25 milhões de toneladas que integram o compromisso de compras para a temporada atual. O volume necessário para alcançar a meta permanece factível. Apesar do avanço das exportações, o retorno da China deixou de representar, isoladamente, um fator suficiente para sustentar novas altas dos contratos futuros, uma vez que o mercado já teria incorporado essa expectativa aos preços. A pressão sobre os preços está concentrada principalmente nas perspectivas de oferta dos Estados Unidos.
Os relatos de campo apontam produtividade elevada nas lavouras de soja, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta rendimento médio de 3,57 toneladas por hectare. Há preocupação de que a produtividade final supere essa estimativa, diante dos resultados observados durante a colheita. As condições climáticas mais favoráveis também aceleraram os trabalhos no campo. Até o dia 18 de outubro, 64% da área norte-americana de soja havia sido colhida, ante 46% uma semana antes e média de 65% para o período nos últimos cinco anos. A previsão de pouca chuva no cinturão produtor nos próximos dias deve permitir a continuidade do avanço da colheita, contribuindo para a confirmação das expectativas de oferta. No Brasil, o ritmo de plantio também passou a integrar as avaliações do mercado internacional.
Dados da AgRural indicam que a semeadura da soja alcançou 26% da área prevista até o dia 15 de outubro, ante 15% uma semana antes e 24% em igual período de 2025. As chuvas no Centro do País favoreceram a aceleração dos trabalhos, enquanto o excesso de precipitação limitou o avanço das operações na Região Sul. Em relação ao clima na América do Sul, a avaliação é de que, até o momento, não há sinais de um problema climático relevante para a produção de soja, embora ainda seja cedo para conclusões definitivas. Na semana passada, as áreas brasileiras receberam precipitação equivalente a 114% da média normal, enquanto a Argentina registrou apenas 27% do volume habitual.
Para os próximos dias, os modelos meteorológicos indicam condições mais secas no Norte do Brasil e em Mato Grosso, com maior umidade na Região Sul do País e na Argentina. Esse padrão é compatível com o comportamento esperado durante um episódio de super El Niño. Nos modelos com horizonte de oito a 14 dias, contudo, a previsão aponta chuvas acima da média em Mato Grosso e no Norte do Brasil, indicando possibilidade de mudança nas condições de umidade ao longo do período. O cenário mantém o mercado atento à evolução da oferta norte-americana, ao cumprimento dos compromissos de compra da China e às condições de desenvolvimento das lavouras sul-americanas. No curto prazo, a combinação entre produtividade elevada nos Estados Unidos, avanço da colheita e ausência de problemas climáticos relevantes na América do Sul tende a limitar o potencial de sustentação das cotações pela demanda chinesa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.