21/Oct/2026
Segundo a Stag International, os preços futuros da soja na Bolsa de Chicago podem recuar para a faixa de US$ 12,10 a US$ 12,20 por bushel caso os fundos de investimento ampliem as vendas de contratos. Esses agentes ainda mantêm aproximadamente 200 mil contratos líquidos comprados e considera que uma redução dessa posição para perto de 150 mil contratos abriria espaço para novas quedas. O movimento reflete a retirada de parte do prêmio de risco acumulado desde agosto, mesmo com a retomada das compras chinesas. Na semana passada, os contratos futuros da oleaginosa recuaram quase 20,00 centavos de dólar por bushel, equivalente a cerca de US$ 7,00 por tonelada. Três fatores que sustentaram as cotações nos últimos meses perderam força, reduzindo o suporte aos preços. O primeiro fator foi a preocupação com a produtividade do milho nos Estados Unidos.
Em agosto, o Pro Farmer Crop Tour estimou rendimento de 10,9 toneladas por hectare, abaixo das expectativas do mercado. O resultado ampliou os receios de redução dos estoques e de necessidade de aumento da área cultivada com milho no próximo plantio. Como as duas culturas disputam espaço nas propriedades norte-americanas, a valorização do cereal também contribuiu para sustentar as cotações da soja. Atualmente, porém, a Stag avalia que a produtividade do milho deverá superar a estimativa inicial, reduzindo esse fator de sustentação para a oleaginosa. O segundo suporte veio da China, cuja aceleração das compras de soja norte-americana alimentou expectativas de melhora nas relações comerciais entre Estados Unidos e China e de eventual redução das tarifas aplicadas ao produto dos Estados Unidos. Entretanto, a reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping não resultou em novo alívio tarifário para o setor, e a tarifa chinesa de 10% foi mantida.
Com isso, parte das expectativas positivas relacionadas à demanda chinesa perdeu força como fator de valorização dos contratos futuros. O terceiro elemento foi a deterioração das lavouras norte-americanas de soja durante agosto, que elevou o temor de perdas de produtividade. Desde então, dois relatórios consecutivos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) não indicaram piora relevante nas estimativas de produção. A safra norte-americana de 2026 poderá registrar a segunda maior produtividade da história, reforçando as perspectivas de ampla disponibilidade do grão. A oferta também aumenta com o avanço da colheita nos Estados Unidos. Até 18 de outubro, 64% da área de soja havia sido colhida, ante a média de 65% para o período. A expectativa da empresa é de aceleração dos trabalhos nas próximas semanas, especialmente em Iowa, ampliando a disponibilidade física da oleaginosa no mercado.
Pelo lado da demanda, as compras chinesas seguem próximas do esperado, mas persistem preocupações com o desempenho das exportações norte-americanas para outros destinos. Na avaliação da Stag, os Estados Unidos precisarão ampliar as vendas para mercados além da China para reduzir os estoques finais da safra 2026/27 para menos de 9,5 milhões de toneladas. A concorrência brasileira representa um obstáculo adicional. Segundo a empresa, a safra recorde do Brasil e a redução das compras chinesas de soja brasileira neste ano deixaram maior volume disponível para outros mercados, intensificando a disputa com os Estados Unidos por compradores fora da China. Esse quadro limita o potencial de expansão das exportações norte-americanas e dificulta uma redução mais expressiva dos estoques. As perspectivas para a nova safra brasileira também restringem, por enquanto, as possibilidades de recuperação das cotações na Bolsa de Chicago.
O plantio avança com condições favoráveis de chuva e umidade do solo. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentados pela Stag indicam que 30,1% da área nacional prevista estava semeada, ante 15,6% na semana anterior e média de 21% nas cinco safras anteriores para o período. Em Mato Grosso, o plantio alcançava 60,8% da área; no Paraná, 39%; e no Rio Grande do Sul, 1%. É cedo para determinar o potencial produtivo da safra brasileira, uma vez que as chuvas de novembro e dezembro serão decisivas, principalmente na Região Centro-Oeste. Até o momento, contudo, a ausência de ameaças climáticas relevantes reduz a justificativa para a manutenção de um prêmio adicional nos preços associado aos riscos de produção na América do Sul. A posição dos fundos de investimento constitui outro fator de pressão. No início de agosto, esses agentes mantinham cerca de 100 mil contratos líquidos comprados em soja em Chicago.
A posição avançou posteriormente para perto do recorde de 250 mil contratos, antes de iniciar um movimento de redução. Em 19 de outubro, o saldo era estimado em aproximadamente 200 mil contratos. Uma nova rodada de liquidação dessas posições poderá ampliar a pressão vendedora sobre os futuros. Nesse cenário, a perspectiva é de baixa para os diferentes vencimentos da soja. Além da possibilidade de novas vendas dos fundos, contribuem para esse quadro a queda das cotações do milho, o aumento da oferta com a colheita norte-americana, a demanda ainda limitada de mercados fora da China e as interrupções temporárias no esmagamento de soja nos Estados Unidos. Uma recuperação mais consistente dos preços dependerá da ampliação da demanda internacional ou do surgimento de novos riscos para a oferta, especialmente relacionados às condições climáticas na América do Sul. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.