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19/Oct/2026

Preços da soja pressionados no Brasil e exterior

O avanço da colheita da soja no Hemisfério Norte e o ritmo intenso da semeadura no Brasil reforçam as expectativas de produção recorde na safra 2026/27, pressionando as cotações nacionais e internacionais. No mercado brasileiro, porém, as preocupações com os possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño levaram parte dos produtores a se retrair nas negociações no mercado spot, limitando as quedas. As incertezas climáticas estão relacionadas ao excesso de chuvas no Sul do Brasil, o que tem alimentado especulações sobre uma possível migração de parte da área destinada à soja para o milho. No Centro-Oeste, por outro lado, as chuvas irregulares e a baixa umidade do solo, sobretudo no norte da região, mantêm produtores em alerta. No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a distribuição das precipitações também é heterogênea, mas a maior umidade do solo nos últimos dias permitiu o avanço das atividades de campo.

Apesar das incertezas climáticas, as projeções reforçam a expectativa de produção global recorde, impulsionada sobretudo pelo Brasil, que responde por mais de 40% da oferta mundial. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de soja está estimada em 442,7 milhões de toneladas na safra 2026/27. Nos Estados Unidos, deve atingir 124,15 milhões de toneladas, aumentos de 0,6% em relação ao relatório de setembro e de 7,1% em relação à safra 2025/26. Quanto à colheita norte-americana, 46% da área já havia sido colhida no dia 11 de outubro, abaixo da média de 50% nos últimos cinco anos. O USDA manteve as estimativas de produção em 50 milhões de toneladas para a Argentina, elevação de 700 mil toneladas frente à safra passada, e em 186 milhões de toneladas para o Brasil, acréscimo de 5,5 milhões de toneladas no mesmo comparativo.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) considera a possibilidade de redução da produtividade brasileira em 2026/27 diante dos possíveis efeitos do El Niño. Para as Regiões Centro-Oeste e Sudeste, a Conab projeta queda de 1,3% na produtividade. Nas Regiões Norte e no Nordeste, as reduções são estimadas em 3,8% e 4%, respectivamente. Na Região Sul, por sua vez, a previsão é aumento de 3,1% na produtividade da nova safra. Embora a estimativa indique recuo de 0,7% no Paraná, são projetados avanços de 8,1% no Rio Grande do Sul e de 0,2% em Santa Catarina. Com isso, a produção nacional de soja é estimada em um novo recorde, de 181,6 milhões de toneladas. Nos últimos sete dias, os preços da soja registram leves baixas de 0,3% no mercado de balcão (preço pago aos produtores) e de 0,4% no mercado de lotes (negociações entre empresas).

Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 0,1%, cotado a R$ 154,70 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 0,4% nos últimos sete dias, a R$ 148,71 por saca de 60 Kg. A valorização do dólar frente ao Real nos últimos sete dias também contribui para limitar as quedas no mercado nacional. No cenário externo, por outro lado, as expectativas de maior oferta, somadas à valorização do dólar, reforçam a pressão sobre as cotações. Na Bolsa de Chicago, o contrato Novembro de 2026 da soja em grão registra recuo de 1,9% nos últimos sete dias, a US$ 12,63 por bushel. Quanto ao óleo de soja, o mercado segue com baixa liquidez, diante da demanda nacional enfraquecida em relação ao esperado no início da temporada.

Nesse cenário, o preço do óleo de soja (posto em São Paulo com ICMS de 12%) registra queda de 1,2% nos últimos sete dias, com média de R$ 6.970,37 por tonelada. A Conab revisou para baixo a estimativa de vendas internas de óleo de soja na safra 2025/26, para 10,53 milhões de toneladas. O volume é 1,5% inferior ao projetado no relatório anterior, mas 2,1% superior ao consumo da temporada passada. Para 2026/27, o consumo doméstico é projetado no recorde de 11,63 milhões de toneladas, aumento de 10,5% em relação à temporada atual. A expansão está associada à expectativa de maior demanda do setor de biodiesel. Em contrapartida, os preços do farelo de soja são sustentados pela valorização do prêmio de exportação, em um contexto de demanda firme nos mercados interno e externo. As cotações do derivado apresentam avanço de 0,1% nos últimos sete dias.

A Conab elevou em 0,63% a estimativa de exportações de farelo de soja para 2026, considerando-se o período de janeiro a dezembro, correspondente à safra 2025/26. O volume projetado é recorde, de 26,29 milhões de toneladas, 13% superior ao escoado na temporada anterior. Para 2026/27, a Conab aumentou em 3% a estimativa de exportações, para o novo recorde de 27,1 milhões de toneladas. As vendas internas também devem atingir volumes recordes: 21,4 milhões de toneladas na safra 2025/26 e 22,08 milhões de toneladas em 2026/27. Diante dessas projeções, o estoque de passagem de farelo de soja foi revisado para 3,68 milhões de toneladas em dezembro de 2026, reduções de 9,6% em relação ao relatório anterior e de 3,11% em relação ao período equivalente da safra passada. Para 2026/27, o estoque é estimado em 3,59 milhões de toneladas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.