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16/Oct/2026

Futuros em baixa com avanço da colheita nos EUA

Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam em baixa nesta quinta-feira (15/10), pressionados pelo avanço acelerado da colheita nos Estados Unidos na semana anterior e pela perspectiva de condições climáticas favoráveis aos trabalhos de campo nos próximos dias. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 46% da safra norte-americana havia sido colhida até o dia 11 de outubro, avanço de 21% em uma semana. O contrato com vencimento em novembro recuou 14,25 cents, equivalente a 1,12%, e fechou a US$ 12,63 por bushel. Os dados de processamento de soja nos Estados Unidos também contribuíram para a pressão sobre os preços. Conforme informações da Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (Nopa), o esmagamento somou 5,34 milhões de toneladas em setembro, volume 0,79% inferior às 5,39 milhões de toneladas registradas em igual mês de 2025. O resultado ficou abaixo da média das estimativas de analistas.

O resultado de setembro representou a primeira queda anual do esmagamento norte-americano desde março de 2025. O desempenho abaixo das expectativas reforçou a percepção de demanda interna menos aquecida no curto prazo. A disponibilidade limitada de soja, associada ao ritmo mais lento da colheita em setembro, pode ter restringido o processamento. A expectativa é de possível recuperação no próximo mês, com a chegada de volumes maiores de soja recém-colhida ao mercado. A perspectiva de oferta abundante no Brasil também influenciou os negócios. No primeiro levantamento da safra de grãos 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a produção brasileira de soja em 181,61 milhões de toneladas, crescimento de 0,7% em relação à temporada anterior.

A projeção considera expansão de 1,4% da área semeada, estimada em 49,3 milhões de hectares, ampliando a perspectiva de disponibilidade global do grão. O USDA anunciou nesta quinta-feira (15/10) uma nova venda avulsa de soja norte-americana, totalizando 613,45 mil toneladas para entrega no ano comercial 2026/27. Desse volume, 330 mil toneladas têm a China como destino, enquanto 283,45 mil toneladas foram negociadas para destinos não revelados. Apesar da operação, a demanda chinesa não foi suficiente para compensar a pressão exercida pela entrada da nova safra dos Estados Unidos e pelas perspectivas de ampla oferta global. O avanço da colheita norte-americana, combinado aos dados de esmagamento abaixo das expectativas e à projeção de maior produção brasileira, prevaleceu sobre o anúncio de vendas externas.