16/Oct/2026
Segundo a StoneX, a China apresenta estoques elevados de soja nas esmagadoras e nos portos, mas mantém baixa cobertura de compras para os próximos meses. O país contratou aproximadamente 10% das necessidades estimadas para janeiro, enquanto a cobertura está em torno de 40% para dezembro e 30% para fevereiro de 2027. O cenário reflete as margens negativas de esmagamento e a expectativa de menor atividade industrial no início do próximo ano. Para março e abril de 2027, a cobertura melhora, alcançando aproximadamente 45% a 50%. A situação evidencia a diferença entre a disponibilidade imediata de soja e a necessidade de garantir o abastecimento futuro. Embora os estoques atuais sejam considerados suficientes, as compras antecipadas permanecem limitadas pela rentabilidade desfavorável das esmagadoras.
As margens de processamento, calculadas pela diferença entre a receita obtida com a venda de farelo e óleo de soja e o custo de aquisição do grão, permanecem negativas há um período prolongado, reduzindo o incentivo das empresas privadas para ampliar as contratações. O calendário de atividades industriais também influencia a cobertura de fevereiro. O Ano-Novo Lunar será celebrado em 6 de fevereiro de 2027, e muitas unidades de processamento deverão interromper as operações por aproximadamente duas semanas em torno do feriado. Como o transporte marítimo de soja das Américas para a China leva entre um e dois meses, as esmagadoras evitam programar embarques que possam chegar durante o período de menor atividade, contribuindo para a baixa cobertura prevista para aquele mês. As aquisições de soja dos Estados Unidos apresentam uma dinâmica distinta, com participação predominante de empresas estatais e orientação relacionada à política comercial.
Companhias como Cofco e Sinograin lideram parte relevante dessas compras, que podem ser distribuídas ao longo dos próximos meses. Dessa forma, essas empresas não precisam acelerar as contratações enquanto as margens de esmagamento permanecerem negativas. O principal ponto de atenção é o cumprimento do compromisso chinês de adquirir 25 milhões de toneladas de soja norte-americana no restante do ano comercial. A avaliação da StoneX é de que a meta deverá ser mantida, considerando o interesse de China e Estados Unidos em preservar maior estabilidade nas relações comerciais. A concretização desse volume, entretanto, dependerá em maior medida das compras das empresas estatais, diante da menor disposição dos processadores privados para adquirir o produto norte-americano. A soja dos Estados Unidos continua em desvantagem tarifária no mercado chinês.
O produto ficou fora da nova rodada de alívio comercial anunciada após a prorrogação da trégua entre os dois países, e a tarifa adicional de 10% permanece em vigor. Pequim publicou uma lista de 1.619 produtos contemplados pelo alívio, incluindo milho, trigo, sorgo e algumas carnes, mas ainda não divulgou as alíquotas finais aplicáveis a cada item. A exclusão da soja reduz a competitividade do grão norte-americano para compradores privados, embora o impacto seja parcialmente limitado pelo fato de que as margens negativas já desestimulavam essas aquisições. A prorrogação da trégua comercial até 10 de janeiro de 2027 amplia o prazo para a realização das compras e reduz, no curto prazo, o risco de uma nova escalada tarifária. O principal efeito do acordo é a maior previsibilidade para os agentes do mercado, embora a extensão do período permaneça relativamente limitada.
Nesse contexto, o cumprimento da meta de 25 milhões de toneladas ganha relevância para a evolução dos fluxos comerciais de soja entre os dois países. No conjunto da economia chinesa, a StoneX não projeta uma recuperação ampla da demanda por commodities agrícolas no quarto trimestre. O desempenho econômico permanece desigual, com exportações, tecnologia e manufatura em expansão, enquanto o setor imobiliário, os investimentos e o consumo seguem enfraquecidos. A cautela das famílias não compromete necessariamente a aquisição de alimentos básicos, mas limita o crescimento das despesas com restaurantes, carnes de maior valor agregado e outros bens de consumo discricionário. Esse cenário restringe as perspectivas de recuperação generalizada da demanda chinesa por produtos agrícolas no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.