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15/Oct/2026

Soja: China e clima podem limitar queda dos preços

Segundo o Itaú BBA, a demanda chinesa e os riscos climáticos podem limitar a pressão de queda sobre os preços da soja na safra 2026/27, apesar da perspectiva de ampla oferta global. O avanço da semeadura no Brasil reforça as expectativas de oferta, mas ressalta que a irregularidade das chuvas permanece como fator de atenção para a evolução dos trabalhos no campo e o desenvolvimento das lavouras. As condições climáticas são consideradas determinantes para a continuidade do plantio e para a preservação da janela de semeadura do milho e do algodão 2ª safra de 2027. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a semeadura da soja no Brasil alcançou 15,6% da área prevista até 9 de outubro, ante 9,4% uma semana antes.

O percentual supera os 11,1% registrados na mesma data de 2025 e fica acima da média de 15,2% das últimas cinco safras. Em Mato Grosso, dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram avanço da semeadura de 10,2% para 33,3% da área estimada em uma semana, aumento de 23%. O Estado está 12% à frente do registrado no mesmo período do ciclo anterior, quando a estiagem restringiu o ritmo dos trabalhos. No médio-norte de Mato Grosso, o plantio atingiu 50,2% da área prevista, enquanto no oeste alcançou 41,8%. Apesar da recuperação após o atraso inicial, a distribuição irregular das precipitações continua limitando o avanço em algumas localidades. No mercado interno, a soja em Sorriso (MT) registrou preço médio de R$ 142,00 por saca de 60 Kg em setembro, alta de 9,6% em relação a agosto.

A valorização refletiu os ganhos das cotações na Bolsa de Chicago, a sustentação dos prêmios nos portos brasileiros e os efeitos do câmbio. As exportações brasileiras somaram aproximadamente 7,4 milhões de toneladas em setembro e alcançaram cerca de 100 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, crescimento de 6,6% ante igual período de 2025. A demanda chinesa foi o principal fator de sustentação dos embarques. A China também ampliou as compras de soja dos Estados Unidos nas semanas anteriores a novas negociações comerciais entre os dois países. As aquisições norte-americanas para a temporada 2026/27 somavam aproximadamente 13 milhões de toneladas ao final de setembro, volume equivalente a cerca de metade do compromisso de 25 milhões de toneladas indicado para o período. A evolução dessas compras constitui um fator relevante para o balanço global da oleaginosa e para a distribuição da demanda entre os principais fornecedores.

No quadro de oferta, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa da produção norte-americana para o recorde de 124,15 milhões de toneladas e manteve a projeção da safra brasileira em 186 milhões de toneladas. As exportações brasileiras foram estimadas em 118 milhões de toneladas. Para a temporada 2026/27, os estoques mundiais foram projetados em 124,28 milhões de toneladas, ligeiramente acima da estimativa anterior. A perspectiva de ampla disponibilidade global mantém um fator de pressão sobre as cotações, mas o desempenho da demanda chinesa e a evolução das condições climáticas no Brasil podem limitar movimentos de baixa. A irregularidade das chuvas, além de afetar o ritmo da semeadura e o potencial produtivo, pode comprometer a janela de implantação das culturas de 2ª safra, acrescentando incerteza ao quadro de oferta ao longo do ciclo 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.