15/Oct/2026
A irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas podem comprometer o plantio e o estabelecimento inicial da soja em Mato Grosso em outubro, aumentando os riscos de falhas de germinação e necessidade de replantio. Na Região Sul, o excesso de umidade tende a dificultar a colheita das culturas de inverno e a implantação da safra de verão. Segundo o Boletim Agroclimatológico de outubro do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão é de chuvas abaixo da média entre outubro e dezembro no centro-norte de Mato Grosso, norte de Goiás e Distrito Federal, com recuperação gradual da umidade do solo no Centro-Oeste a partir de novembro. O cenário ocorre em meio ao fortalecimento do fenômeno El Niño, associado ao aquecimento das águas do Pacífico Equatorial. O Índice Oceânico Relativo do Niño (RONI) atingiu +2,06 em setembro, acima do nível observado em agosto. Projeções do International Research Institute for Climate and Society (IRI) indicam probabilidade de 100% de ocorrência de El Niño no trimestre de outubro a dezembro e de 87% de continuidade do fenômeno até o trimestre de abril a junho de 2027.
Em Mato Grosso, o volume de chuva pode ficar até 100 milímetros abaixo da média histórica no extremo norte do Estado durante o trimestre. As temperaturas também podem superar em até 2°C a média no norte mato-grossense. A combinação de déficit hídrico e calor aumenta o risco de comprometimento da semeadura e do estabelecimento inicial da soja, com possibilidade de germinação insuficiente, emergência desuniforme, redução do estande de plantas e necessidade de replantio. As lavouras implantadas em setembro também podem enfrentar restrições ao desenvolvimento inicial. Em grande parte do Centro-Oeste, o armazenamento de água no solo pode permanecer abaixo de 20% da capacidade em outubro. Condições semelhantes às previstas para Mato Grosso são esperadas em Goiás e no Distrito Federal, com riscos também para o milho e o feijão de primeira safra. No sul de Mato Grosso do Sul, a situação tende a ser mais favorável, com umidade do solo acima de 60% da capacidade, embora as precipitações possam restringir pontualmente as operações de campo.
A partir de novembro, a previsão indica melhora da disponibilidade hídrica no centro e no norte de Mato Grosso e no centro-sul de Goiás. Em dezembro, o armazenamento de água poderá superar 90% da capacidade do solo em praticamente toda a região. A recuperação das chuvas tende a favorecer o desenvolvimento das lavouras, mas a umidade elevada também poderá aumentar a incidência de doenças fúngicas e reduzir as janelas adequadas para pulverizações. No Matopiba, região que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia, a baixa umidade do solo em outubro e novembro, associada às temperaturas acima da média, eleva o risco de falhas de germinação e replantio da soja semeada precocemente. Os baixos níveis de armazenamento hídrico registrados no fim de setembro indicam que o início da semeadura das culturas de verão dependerá do retorno e da regularização das chuvas. A recuperação prevista para dezembro deve favorecer o avanço do plantio no oeste da Bahia.
Entretanto, eventuais atrasos provocados pela falta de água podem concentrar a semeadura em uma janela mais curta, considerando que o calendário oficial para o plantio da soja na região termina em 31 de dezembro. A irregularidade das precipitações, portanto, pode afetar tanto o estabelecimento das lavouras quanto a distribuição das operações ao longo do período permitido. No Sul, a perspectiva é oposta. O Inmet prevê chuvas acima da média nos três Estados da região durante o trimestre, com volumes superiores em mais de 100 milímetros à média histórica no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no sul e leste do Paraná. O armazenamento de água no solo deve permanecer acima de 80% da capacidade disponível. A elevada umidade tende a reduzir as janelas favoráveis para os últimos manejos e para a colheita das culturas de inverno. O cenário também aumenta os riscos de doenças e de perda de qualidade dos grãos de trigo, cevada e canola.
Para a safra de verão (1ª safra 2026/27), o excesso de chuvas pode dificultar o preparo do solo e a semeadura da soja, principalmente em áreas com drenagem deficiente. Na Região Sudeste, outubro deve apresentar condições mais favoráveis ao plantio de soja e milho em São Paulo, enquanto a melhora das condições em Minas Gerais é esperada a partir de novembro. O quadro climático indica riscos distintos entre as regiões produtoras brasileiras durante o início da safra 2026/27. A falta de chuva pode atrasar a implantação e comprometer o estabelecimento das lavouras no Centro-Oeste e no Matopiba, enquanto o excesso de precipitações no Sul pode dificultar a colheita de inverno e o plantio de verão. A distribuição das chuvas a partir de novembro será determinante para avaliar a recuperação da umidade do solo, o ritmo das operações agrícolas e os impactos sobre o potencial produtivo das culturas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.