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15/Oct/2026

Óleo de Soja: menor oferta de palma sustenta preço

Segundo o Itaú BBA, a redução da oferta de óleo de palma na Indonésia tende a sustentar os preços do óleo de soja no mercado internacional, enquanto o farelo deverá enfrentar maior concorrência com a expansão do esmagamento na Argentina e na Tailândia. A demanda do setor de rações e o crescimento da produção de proteínas animais podem limitar uma pressão mais intensa sobre as cotações do farelo. O principal ajuste do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) nas projeções de óleos vegetais divulgadas em outubro ocorreu no balanço da palma. O órgão reduziu em 2,2 milhões de toneladas a estimativa de produção da Indonésia, para 45 milhões de toneladas, em razão da seca prolongada nas regiões de Sumatra e Kalimantan. A produtividade foi revisada para baixo em 5% em relação à estimativa de setembro, enquanto a área cultivada permaneceu em 14 milhões de hectares.

Como a Indonésia é o maior produtor e exportador mundial de óleo de palma, a redução da oferta tende a levar os estoques globais do produto ao menor nível desde a safra 2017/18. Nesse cenário, a menor disponibilidade poderá estimular a substituição por outros óleos vegetais, especialmente os de soja, canola e girassol, favorecendo a sustentação das cotações desses produtos. Para o farelo de soja, o relatório de outubro do USDA apresentou impacto praticamente neutro sobre o balanço norte-americano, com estoques finais próximos de 0,4 milhão de toneladas. O principal ponto de atenção está no aumento projetado do esmagamento de soja na Argentina e na Tailândia, movimento que poderá ampliar a disponibilidade global do derivado e intensificar a concorrência entre os fornecedores. A expansão argentina merece atenção especial porque o país é o principal exportador mundial de farelo de soja.

O aumento da oferta poderá ampliar a competição com o produto brasileiro nos mercados internacionais. Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras de farelo somaram 20,2 milhões de toneladas, crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Apesar da perspectiva de maior disponibilidade, o crescimento da produção de proteínas animais e a demanda por ração deverão absorver parte da oferta adicional, limitando a intensidade de eventuais quedas nos preços do farelo. O comportamento da demanda será determinante para o equilíbrio entre a expansão do esmagamento e a capacidade de consumo do derivado nos principais mercados. Nos Estados Unidos, o USDA elevou a estimativa da safra de soja para o recorde de 124,15 milhões de toneladas, mas manteve inalterada a projeção de esmagamento.

Dessa forma, o aumento da produção do grão não deverá se transformar imediatamente em maior disponibilidade de farelo e óleo no mercado norte-americano, reduzindo o impacto direto da oferta adicional sobre esses derivados. No mercado brasileiro, a média de preços do farelo de soja em Rondonópolis (MT) alcançou R$ 1.929,00 por tonelada em setembro, alta de 13,3% ante agosto. Para o óleo de soja em Mato Grosso, o preço médio chegou a R$ 6.271,00 por tonelada, avanço de 4,0% no mesmo intervalo. O cenário para os derivados da soja apresenta, portanto, fundamentos distintos. A menor produção de palma na Indonésia pode favorecer a demanda e os preços do óleo de soja, enquanto a expansão do esmagamento na Argentina e na Tailândia tende a aumentar a concorrência no mercado de farelo. A evolução do consumo de rações e proteínas animais será importante para determinar a intensidade da pressão sobre as cotações do derivado proteico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.