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14/Oct/2026

Safra da América do Sul será decisiva para preços

As cotações internacionais da soja nos próximos quatro a cinco meses devem depender mais da confirmação de uma safra elevada na América do Sul do que das previsões de ocorrência de um Super El Niño. Segundo a Standard Grain, o fenômeno climático merece atenção pelos riscos potenciais para Brasil e Argentina, mas as projeções meteorológicas de longo prazo, isoladamente, ainda não oferecem sustentação suficiente para uma alta dos preços. O comportamento das cotações deverá acompanhar principalmente a evolução das lavouras e a confirmação do volume de produção sul-americano. Modelos meteorológicos apontam risco de chuvas abaixo da média no Centro-Oeste e em áreas do Norte e Nordeste do Brasil, enquanto o Sul do País e a Argentina poderiam registrar precipitações acima do normal, caso o El Niño evolua conforme as projeções.

A extensão territorial das áreas produtoras da América do Sul, entretanto, permite a ocorrência de condições climáticas bastante distintas entre regiões, o que dificulta antecipar os efeitos do fenômeno sobre a produção agregada. A avaliação também destaca a incerteza das previsões meteorológicas de longo prazo. Projeções anteriores de seca e de perdas de safra relacionadas ao clima nem sempre se concretizaram, o que reforça a importância do acompanhamento das condições efetivamente observadas e das previsões de curto prazo, especialmente para os sete dias seguintes. Dessa forma, a reação do mercado tende a depender da confirmação de riscos climáticos concretos, e não apenas de cenários projetados para vários meses. Desde o início de outubro, regiões produtoras de soja do Brasil receberam 127% da precipitação considerada normal para o período, enquanto áreas da Argentina acumularam 107% da média.

Embora possam existir exceções no extremo Norte do Brasil e em partes do norte de Mato Grosso, a avaliação atual não identifica, até o momento, um problema disseminado de disponibilidade de umidade nas áreas produtoras. A dimensão da produção brasileira amplia a influência das condições climáticas no País sobre a formação dos preços internacionais. A projeção indica uma safra de 186 milhões de toneladas no Brasil, equivalente a 42% da oferta mundial de soja. O País também responderia por 62% das exportações globais da oleaginosa. Nesse contexto, a confirmação ou a frustração da produção brasileira, em conjunto com o resultado argentino, deverá ser determinante para o equilíbrio global entre oferta e demanda e para a direção das cotações nos próximos meses. Além do clima sul-americano, a colheita norte-americana e o ritmo das compras chinesas permanecem como fatores de pressão sobre o mercado no curto prazo.

Desde o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, em Washington, em 24 de setembro, não foram registradas novas compras chinesas de soja dos Estados Unidos. A China teria cerca de 11 milhões de toneladas da oleaginosa norte-americana registradas para a temporada atual, diante do compromisso anual de 25 milhões de toneladas. A diferença entre o volume já registrado e o compromisso anunciado mantém a necessidade de novas aquisições chinesas no radar do mercado. A retomada das compras e a aceleração dos negócios seriam importantes para dar sustentação à demanda pela soja norte-americana, especialmente durante o avanço da colheita nos Estados Unidos. Assim, a combinação entre o ritmo das aquisições chinesas, a evolução da oferta norte-americana e, principalmente, a confirmação da safra brasileira e argentina deverá orientar a formação dos preços internacionais, enquanto os efeitos de um possível Super El Niño permanecem condicionados à sua efetiva ocorrência e aos impactos sobre as lavouras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.