13/Oct/2026
O custo total de produção de soja é maior nos Estados Unidos do que no Brasil, embora os produtores norte-americanos tenham despesas menores diretamente relacionadas à lavoura, incluindo fertilizantes, defensivos e sementes. A conclusão consta de estudo do Serviço de Pesquisa Econômica (ERS), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que compara custos e retornos da atividade nos dois países com base nas médias de 2023 a 2025. Na média nacional, o custo total de produção da soja foi estimado em US$ 11,85 por bushel nos Estados Unidos, equivalente a US$ 26,12 por saca de 60 Kg, ante US$ 10,35 por bushel, ou US$ 22,82 por saca de 60 Kg no Brasil. Em Mato Grosso, o custo total foi de US$ 20,48 por saca de 60 Kg, abaixo dos US$ 26,37 por saca de 60 Kg registrados no Heartland, região que abrange parte do principal cinturão produtor norte-americano. Considerando o custo por hectare, o valor ficou em aproximadamente US$ 1.331,00 em Mato Grosso e US$ 1.728,00 no Heartland.
O cálculo inclui despesas operacionais e custos econômicos atribuídos à produção, como terra, máquinas, mão de obra e estrutura da propriedade. A terra é um dos principais fatores que explicam a diferença. O custo correspondente foi estimado em US$ 3,82 por bushel no Heartland e US$ 1,50 por bushel em Mato Grosso. A possibilidade de expansão da área agrícola brasileira em novas fronteiras, associada a preços relativamente menores de compra e arrendamento de terras, contribui para reduzir o custo total da produção. A produtividade média foi praticamente idêntica nas duas regiões, de 3,9 toneladas ou 65 sacas de 60 Kg por hectare. Quando são considerados apenas os gastos operacionais necessários para conduzir a lavoura, a relação se inverte. Em Mato Grosso, essas despesas foram estimadas em US$ 838,00 por hectare, ante US$ 634,00 no Heartland. Os custos operacionais representaram 62,9% do custo total mato-grossense, enquanto nos Estados Unidos corresponderam a 36,7%.
A diferença reflete principalmente os gastos com fertilizantes e defensivos agrícolas, mais elevados no Brasil. As despesas com fertilizantes foram estimadas em aproximadamente US$ 293,00 por hectare em Mato Grosso, mais que o dobro dos US$ 145,00 por hectare registrados no Heartland. No caso dos defensivos, os gastos alcançaram cerca de US$ 283,00 por hectare no Estado brasileiro, ante US$ 141,00 por hectare na região norte-americana. Os solos do Centro-Oeste brasileiro exigem maior correção e adubação, enquanto as condições tropicais favorecem maior pressão de pragas e ampliam a necessidade de defensivos. O transporte de insumos importados até as regiões produtoras também eleva os custos. O Brasil importa aproximadamente 95% do nitrogênio, 72% do fosfato e 96% do potássio que consome. Em sementes, a vantagem é brasileira. O gasto médio foi de aproximadamente US$ 109,00 por hectare em Mato Grosso, ante US$ 159,00 por hectare no Heartland.
A diferença está associada, em parte, ao maior volume de compras das propriedades brasileiras e à tecnologia incorporada às sementes. Embora os dois países utilizem amplamente variedades geneticamente modificadas, as sementes norte-americanas tendem a incorporar um número maior de características tecnológicas, o que aumenta o custo por hectare. A estrutura de custos também influencia a rentabilidade da atividade. Entre 2023 e 2025, o produtor do Heartland recebeu, em média, US$ 10,84 por bushel, equivalente a US$ 23,90 por saca de 60 Kg, enquanto em Mato Grosso o preço médio foi de US$ 10,22 por bushel, ou US$ 22,53 por saca de 60 Kg. Após a dedução dos custos operacionais, o retorno foi de US$ 6,45 por bushel nos Estados Unidos, equivalente a US$ 14,22 por saca de 60 Kg, ante US$ 4,38 por bushel, ou US$ 9,66 por saca de 60 Kg em Mato Grosso. Quando todos os custos econômicos são incluídos, entretanto, o resultado favorece o produtor de Mato Grosso.
Mato Grosso apresentou ganho de US$ 0,93 por bushel, equivalente a US$ 2,05 por saca de 60 Kg, enquanto o Heartland registrou resultado negativo de US$ 1,12 por bushel, ou perda de US$ 2,47 por saca de 60 Kg. A diferença evidencia o peso das despesas com terra, máquinas, mão de obra e estrutura na rentabilidade final da atividade. A vantagem de Mato Grosso no retorno sobre o custo total não ficou restrita à média do período analisado. Entre 2017 e 2025, o Estado apresentou resultado superior ao Heartland em todos os nove anos considerados. No retorno após a dedução dos custos operacionais, por outro lado, a região norte-americana ficou à frente em sete dos nove anos, com exceção de 2020 e 2021. A competitividade brasileira também se mantém quando o estudo incorpora o transporte da produção até os portos. O custo de produção somado ao frete interno ficou entre US$ 402,00 e US$ 433,00 por tonelada para a soja de Mato Grosso, dependendo da rota utilizada, ante US$ 510,00 por tonelada no Heartland.
O desenvolvimento da BR-163 e dos corredores logísticos do Arco Norte reduziu em US$ 31,00 por tonelada o custo de transporte da soja mato-grossense até os portos do Norte, em comparação com as rotas destinadas aos portos do Sul e Sudeste. A taxa de câmbio é outro fator relevante para a comparação dos custos expressos em dólares. Com a cotação de R$ 5,99 por dólar, o custo total médio brasileiro calculado pelo USDA cairia para aproximadamente US$ 1.227,00 por hectare. Com o dólar a R$ 4,87, subiria para cerca de US$ 1.508,00 por hectare. Na taxa de R$ 5,32 utilizada como referência pelo estudo, o custo ficou em aproximadamente US$ 1.381,00 por hectare no Brasil, ante US$ 1.621,00 por hectare na média norte-americana. O USDA ressalta que as bases brasileira e norte-americana apresentam diferenças metodológicas e foram reorganizadas para permitir a comparação. Os resultados não incluem pagamentos diretos dos governos, indenizações de seguro agrícola nem os custos de contratação desses seguros.
O levantamento norte-americano para 2023 a 2025 corresponde a uma atualização, com preços e produção, do estudo do USDA publicado em 2023 para a soja. Por isso, os autores destacam que os resultados não devem ser interpretados como uma mensuração precisa de todas as diferenças de custos entre os países. Brasil e Estados Unidos responderam conjuntamente por aproximadamente 83% do comércio mundial de soja na safra 2025/2026. O Brasil exportou 115 milhões de toneladas, equivalentes a 61% do total global, enquanto os embarques norte-americanos somaram 41,4 milhões de toneladas. A comparação indica que a competitividade brasileira se apoia principalmente nos custos de terra e na eficiência logística, enquanto os produtores dos Estados Unidos apresentam despesas operacionais menores, mas enfrentam custos econômicos totais mais elevados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.