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09/Oct/2026

EUA: preços do óleo de soja devem se recuperar

A queda dos futuros de óleo de soja na Bolsa de Chicago em 7 de outubro tende a ser temporária, com perspectiva de recuperação dos contratos nas próximas semanas. A Stag International projeta retorno do vencimento dezembro para a faixa de 70,00 centavos de dólar por libra-peso, avaliando que o movimento recente de baixa foi determinado principalmente por fatores de curto prazo, como o risco de paralisações em usinas de diesel renovável após a chegada do furacão Isaias à costa do Golfo dos Estados Unidos e o anúncio de medidas de alívio fiscal para o diesel pelo presidente norte-americano Donald Trump. O diesel renovável, produzido a partir de óleos vegetais e gorduras, representa um dos principais destinos do óleo de soja nos Estados Unidos. Cinco usinas localizadas na Louisiana e no Mississippi estão na área de influência da tempestade, com capacidade nominal conjunta de 1,708 bilhão de galões por ano, equivalente a aproximadamente 6,5 bilhões de litros e a cerca de 35% da capacidade de produção em operação no país.

A maior unidade é a Diamond Green Diesel, em Norco, na Louisiana, com capacidade de 982 milhões de galões por ano. As plantas estão localizadas no lado oeste da tempestade, considerado o setor de menor intensidade, mas permanecem expostas a riscos de alagamentos, interrupções no fornecimento de energia e restrições de acesso aos portos. Eventuais paralisações das unidades de diesel renovável podem reduzir temporariamente a demanda por óleo de soja. O volume que deixaria de ser consumido pelas usinas poderia permanecer estocado, ampliando a disponibilidade no mercado físico e exercendo pressão baixista sobre os preços. A avaliação da Stag, contudo, é de que esse efeito tende a ser limitado ao período de interrupção das operações, sem alteração estrutural dos fundamentos de demanda. O segundo fator de pressão sobre o óleo de soja é a ampliação do acesso ao diesel tingido, destinado ao uso agrícola e fora de estrada e isento do imposto federal sobre combustíveis, como medida para reduzir custos próximos de níveis recordes, de aproximadamente US$ 6,50 por galão, equivalentes a cerca de US$ 1,72 por litro.

A medida não reduz diretamente o preço do combustível nem garante oferta adicional, mas pode ampliar a competitividade do diesel fóssil em relação aos biocombustíveis e reduzir a mistura voluntária. A liberação planejada de 100 milhões de barris de diesel pelo G7 também sinaliza pressão baixista sobre os custos dos combustíveis, embora a demanda obrigatória por biocombustíveis permaneça protegida. A estrutura de preços dos contratos de óleo de soja reforça a interpretação de que o mercado considera o choque atual como temporário. A diferença entre os contratos de vencimento mais curto e os posteriores recuou apenas moderadamente, sinalizando que os agentes não incorporaram uma deterioração estrutural da demanda, mas uma interrupção pontual associada às condições climáticas e ao mercado de diesel renovável. Os modelos climáticos indicam que os remanescentes do furacão devem avançar pelo Sudeste dos Estados Unidos e perder força sobre o Tennessee e o leste do Meio Oeste entre sábado (10/10) e segunda-feira (12/10). Uma segunda rodada de chuvas é projetada para o oeste do Cinturão do Milho entre 14 e 17 de outubro.

A colheita deve prosseguir sem interrupções relevantes em Kansas, Missouri, Illinois e Indiana. Nesse cenário, a pressão baixista associada ao furacão pode persistir por alguns dias, mas a principal variável para o mercado passa a ser a velocidade de retomada da produção de diesel renovável, já que a duração das eventuais paralisações determinará o período de interrupção temporária da demanda por óleo de soja. Outro ponto de atenção é a qualidade da soja colhida no Meio Oeste dos Estados Unidos. O mercado monitora relatos de grãos descoloridos, com casca marrom, preta ou rosada e interior ainda amarelo. Esse tipo de problema pode reduzir a eficiência econômica do esmagamento quando associado a estresse climático ou doenças, devido ao potencial de aumento dos ácidos graxos livres, escurecimento do óleo e redução dos rendimentos industriais. A relação de valor entre óleo e farelo de soja no esmagamento também apresentou deterioração, enquanto a valorização do farelo, mesmo em um período de condições climáticas favoráveis à colheita, permanece como ponto de atenção. A expectativa de redução do aperto no mercado de farelo pode, contudo, favorecer a recuperação da participação do óleo no valor total do esmagamento e melhorar sua competitividade relativa.

Apesar da pressão recente, a avaliação é construtiva para os fundamentos do óleo de soja. O consumo de óleo de soja para produção de biodiesel nos Estados Unidos alcançou 765 mil toneladas em julho, acima da estimativa de 721 mil toneladas. Com os dados mais recentes, a Stag elevou as projeções de consumo para agosto e setembro e passou a estimar o uso de óleo de soja em biocombustíveis em 6,9 milhões de toneladas em 2025/26, acima das 6,7 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A sustentação dos fundamentos também está associada aos estoques relativamente baixos, à geração de créditos D4 abaixo do necessário, à maior participação do óleo de soja entre as matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis e ao ritmo mais lento de expansão de matérias-primas alternativas, como a gordura amarela, denominação utilizada para o óleo de cozinha usado. A combinação desses fatores abre espaço para a continuidade da recuperação da participação do óleo de soja na matriz de matérias-primas dos biocombustíveis norte-americanos, especialmente diante da expectativa de preços mais fracos para o farelo.

Entre os fatores baixistas para o óleo de soja estão a recuperação da geração de créditos D4, a incerteza em relação às próximas decisões da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), a competitividade do óleo de soja da América do Sul e os estoques elevados de óleo de palma na Malásia. No campo altista, destacam-se a redução dos impostos de importação na Índia e a possibilidade de uma colheita norte-americana mais lenta do que o inicialmente esperado. O próximo teste para o mercado será o relatório mensal de oferta e demanda agrícola do USDA (Wasde), previsto para esta sexta-feira (09/10). A expectativa incorpora risco de aumento da projeção de uso de óleo de soja em biocombustíveis, acompanhado de ajuste correspondente para baixo nos estoques finais. Dessa forma, embora o furacão e as medidas relacionadas ao diesel possam manter a pressão sobre as cotações no curto prazo, a combinação de demanda elevada para biocombustíveis, estoques mais ajustados e menor crescimento das matérias-primas concorrentes mantém perspectiva de recuperação dos preços do óleo de soja nas próximas semanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.