09/Oct/2026
A produção brasileira de óleo de soja cresce com a expansão do esmagamento, mas o consumo doméstico não acompanha o aumento da oferta devido à manutenção da mistura de biodiesel no diesel em nível inferior ao B16. A decisão sobre eventual elevação para 16% depende de testes de viabilidade que devem ser concluídos em fevereiro, mantendo a demanda interna como um dos principais fatores de incerteza para o mercado de óleo de soja. O biodiesel é produzido principalmente a partir do óleo de soja e é misturado ao diesel comercializado no Brasil. Dessa forma, o aumento do percentual obrigatório de mistura amplia diretamente a demanda pelo óleo vegetal.
O cronograma do programa Combustível do Futuro previa a adoção do B16, mas a mudança não ocorreu, reduzindo o ritmo de crescimento da demanda interna pelo produto. A safra recorde de soja de 2025/26 e os investimentos realizados na capacidade de esmagamento, que transforma o grão em óleo e farelo, ampliaram a oferta brasileira de óleo. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projetava crescimento próximo de 8% na produção ao longo do ano. A oferta adicional pressionou os preços do óleo de soja brasileiro durante o segundo e o terceiro trimestres, diante de um mercado interno incapaz de absorver todo o volume produzido.
As exportações, principalmente para a Ásia e com destaque para a Índia, contribuíram para o escoamento do excedente e reduziram parte da pressão doméstica. O desconto do óleo brasileiro em relação ao preço de referência da Bolsa de Chicago diminuiu de cerca de 20 para aproximadamente 13 centavos de dólar por libra-peso. No quarto trimestre, a demanda por biodiesel normalmente atinge o pico em outubro, acompanhando o aumento das vendas de diesel, e tende a recuar em novembro e dezembro. Ainda assim, a demanda deve permanecer acima da registrada em 2025. A entressafra reduz o ritmo de esmagamento de soja e estreita o balanço doméstico de óleo, contribuindo para sustentar os preços internos mesmo diante da queda das cotações em Chicago.
Para 2027, a produção brasileira de soja deve continuar crescendo, acompanhada pela ampliação da capacidade de processamento. As primeiras projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entretanto, apontam para um crescimento da oferta de óleo inferior ao estimado pela Abiove, indicando um ritmo de expansão mais moderado. Caso o B16 entre em vigor a partir do segundo trimestre de 2027, o consumo de óleo de soja destinado à produção de biodiesel poderá aumentar de 8,2 milhões para 8,9 milhões de toneladas. A ausência dessa elevação manteria o descompasso entre o crescimento da produção e a capacidade de absorção do mercado doméstico, ampliando a necessidade de direcionamento do excedente para o mercado externo.
Nesse cenário, o Brasil dependeria mais das compras de países asiáticos para equilibrar o mercado de óleo de soja. O Outlook 2026 da StoneX mostra que a produção de diesel A no Brasil aumentou 7,2% de janeiro a agosto, para 29,1 milhões de metros cúbicos, enquanto as importações recuaram 11,4%. A combinação de maior produção doméstica de diesel, menor importação e ausência do B16 limita, portanto, o crescimento da demanda interna por óleo de soja e aumenta a importância das exportações para o equilíbrio do mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.