07/Oct/2026
Os futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam em alta nesta terça-feira (06/10), sustentados principalmente pelo atraso no ritmo de colheita nos Estados Unidos. O avanço dos trabalhos deve ganhar velocidade ao longo da semana diante da previsão de clima quente e seco no Meio Oeste, mas o ritmo atual permanece abaixo da média histórica. O contrato novembro subiu 22,25 centavos de dólar, ou 1,74%, e fechou a US$ 13,03 por bushel. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que, até o dia 4 de outubro, 25% da safra norte-americana de soja havia sido colhida, ante 33% na média dos últimos cinco anos. O ritmo representa o segundo menor para este período em mais de uma década. Iowa, Nebraska e Minnesota apresentavam, cada um, atraso de pelo menos 25% em relação às respectivas médias recentes. Apesar do atraso acumulado, as condições climáticas previstas para esta semana tendem a favorecer uma aceleração significativa da colheita de soja no cinturão do milho.
A combinação de temperaturas mais elevadas e tempo seco deve permitir maior avanço das máquinas nas áreas ainda pendentes, reduzindo gradualmente o efeito do atraso sobre a oferta disponível no curto prazo. O USDA também informou que 57% da safra de soja dos Estados Unidos apresentava condição boa ou excelente, queda de 1% ante a semana anterior. A redução do índice de qualidade adiciona algum suporte ao mercado, embora a perspectiva de avanço da colheita limite a percepção de risco sobre a oferta norte-americana. O enfraquecimento do dólar ante o Real também contribuiu para sustentar as cotações internacionais. A valorização da moeda brasileira tende a reduzir a competitividade da soja do Brasil no mercado externo e pode desestimular a comercialização e a fixação de negócios para exportação, favorecendo relativamente a formação dos preços. No Brasil, a semeadura da soja da safra 2026/27 alcançou 9,4% da área até o dia 2 de outubro, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O avanço foi de 5,5% em relação à semana anterior. Apesar da aceleração, o ritmo permanece 1,2% abaixo do registrado no mesmo período da safra passada.
Em relação à média dos últimos cinco anos, entretanto, o plantio brasileiro está adiantado. A média para o período é de 8,8% da área, o que coloca o ritmo atual 0,6% acima do padrão histórico. A evolução da semeadura passa a concentrar maior atenção diante das condições climáticas previstas para o Centro-Oeste e demais regiões produtoras, especialmente em um cenário de forte influência do El Niño sobre a distribuição das chuvas na primavera. O mercado internacional permanece, assim, condicionado pela combinação entre o ritmo de colheita nos Estados Unidos, as condições das lavouras norte-americanas, o câmbio e a evolução do plantio no Brasil. A aceleração da colheita norte-americana nesta semana poderá reduzir parte do prêmio associado ao atraso, enquanto a evolução das condições de umidade e da semeadura brasileira continuará sendo determinante para a formação das expectativas de oferta da safra 2026/27.