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07/Oct/2026

Bolsa de Chicago: demanda sustentando os preços

O maior esmagamento de soja nos Estados Unidos e a retomada das compras chinesas vêm sustentando os preços da oleaginosa na Bolsa de Chicago, mesmo diante da expectativa de uma safra norte-americana recorde em 2026/27. A Hedgepoint Global Markets avalia que a força da demanda tem compensado o aumento da oferta e contribuído para a valorização das cotações, que passaram de cerca de US$ 10,00 por bushel em outubro de 2025 para próximo de US$ 13,00 por bushel neste ano. A produção de soja dos Estados Unidos deve crescer 6% na temporada 2026/27, enquanto as exportações são projetadas em alta de 11% e o esmagamento doméstico deve avançar 5%. A combinação entre maior oferta e crescimento mais intenso da demanda tende a resultar em estoques norte-americanos menores, evidenciando a capacidade de absorção do mercado.

No cenário global, o consumo de soja também cresce em ritmo superior ao da oferta, reduzindo o efeito baixista associado à expansão da produção. Um dos principais vetores de crescimento da demanda é o mercado de óleo de soja destinado à produção de biocombustíveis. O aumento do consumo industrial amplia a necessidade de esmagamento da oleaginosa, processo que gera óleo e farelo, e fortalece o mercado doméstico dos Estados Unidos. A expansão do consumo de óleo de soja cria uma fonte adicional de demanda interna e reduz a dependência do escoamento da produção por meio das exportações de grão. O óleo de soja ganhou importância econômica no processamento da oleaginosa após um longo período em que o farelo concentrava maior participação na formação das margens de esmagamento.

A expansão da indústria de biocombustíveis tende a manter o incentivo ao processamento, mas também pode ampliar a necessidade de importação de outras matérias-primas, como óleo de canola, para complementar a oferta destinada ao consumo adicional. As compras chinesas constituem outro fator de sustentação para o mercado norte-americano. A China havia adquirido aproximadamente 16,8 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos até o fim de setembro, após acelerar as compras a partir de meados de junho. O movimento está relacionado ao compromisso de aquisição de 25 milhões de toneladas por ano e ganhou força com a entrada da colheita norte-americana, que amplia a disponibilidade para novos negócios. Apesar da retomada das compras, a China dispõe de estoques acumulados de soja formados nos últimos três ciclos, o que permite ao país adotar uma estratégia de aquisição menos urgente.

Essa condição reduz a necessidade de concentração das compras em determinados períodos e amplia a capacidade dos importadores chineses de alternar origens de acordo com preços, prêmios e condições comerciais. Para o Brasil, a concentração das compras chinesas nos Estados Unidos pode reduzir temporariamente o ritmo dos embarques brasileiros no último trimestre. Para cumprir o compromisso de aquisição de soja norte-americana, a China pode diminuir as compras do produto brasileiro entre outubro e dezembro e ampliar os volumes provenientes dos Estados Unidos. O movimento tende a alterar a distribuição mensal das exportações brasileiras, mas não compromete a expectativa de recorde anual dos embarques do País. Do lado da oferta norte-americana, o atraso da colheita e os efeitos das chuvas em Iowa exigem acompanhamento, principalmente em relação à qualidade e à produtividade. A previsão de condições mais secas em outubro, contudo, tende a favorecer a retomada dos trabalhos de campo e reduzir os impactos do atraso sobre o fluxo de oferta.

Uma relação entre estoques e uso próxima de 7% corresponderia a um preço de equilíbrio em torno de US$ 12,00 por bushel. Esse nível fica abaixo da referência de aproximadamente US$ 13,00 por bushel observada atualmente, indicando que parte do prêmio incorporado às cotações está associada à força da demanda e às incertezas sobre a oferta. Mesmo com uma relação estoques/uso que apontaria para preços mais baixos, o mercado permanece sustentado pelo crescimento do consumo, pelo esmagamento nos Estados Unidos e pela retomada das compras chinesas. O balanço global da soja permanece, portanto, condicionado menos pelo crescimento da produção e mais pela capacidade de absorção da demanda. Nos Estados Unidos, o avanço do esmagamento e das exportações reduz a formação de estoques mesmo diante de uma safra maior, enquanto a China volta a ampliar as compras. Para o Brasil, o principal efeito no curto prazo é uma possível redução temporária da participação nas compras chinesas, sem alteração da expectativa de exportações recordes no acumulado do ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.