07/Oct/2026
A Stag International espera que o relatório mensal de oferta e demanda agrícola (Wasde) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para 9 de outubro, apresente ajustes limitados para a soja norte-americana, sem alteração relevante na projeção de estoques finais da safra 2026/27. Nesse cenário, a evolução das compras chinesas de soja dos Estados Unidos após o feriado da ‘Semana Dourada’ e as condições climáticas no Brasil devem assumir maior influência sobre a formação dos preços da oleaginosa nas próximas semanas. A produção norte-americana deve ser reduzida de 123,4 milhões de toneladas, para 122,7 milhões de toneladas. Parte da queda seria compensada por aumento das importações, mantendo o estoque final projetado em 8,4 milhões de toneladas. Historicamente, a revisão da produtividade entre os relatórios de setembro e outubro apresenta amplitude relativamente limitada.
Como o mercado já trabalha com uma produtividade elevada, a Stag considera reduzido o potencial para uma surpresa baixista no Wasde. Uma estimativa inferior a 3,53 toneladas por hectare poderia provocar reação altista inicial, mas a sustentação desse movimento dependeria da confirmação da menor produtividade durante o avanço da colheita. É prematuro que o USDA altere a projeção de esmagamento da soja norte-americana, apesar de relatos recentes de falta de matéria-prima em algumas unidades de processamento. O ano comercial ainda está em seu início e praticamente todo o período de comercialização permanece pela frente, reduzindo a necessidade de ajustes imediatos nos números de demanda. Dessa forma, o relatório do USDA tende a acrescentar pouca informação capaz de provocar uma mudança significativa na perspectiva dos preços da soja. O ritmo da colheita nos Estados Unidos permanece abaixo das expectativas.
Até 4 de outubro, 25% da área de soja havia sido colhida, ante 29% projetado pelo mercado e 33% correspondente à média dos últimos cinco anos. Em Iowa, um dos principais Estados produtores, apenas 5% da área havia sido colhida, contra média de 38%, em consequência do plantio mais tardio. A expectativa é de aceleração dos trabalhos, diante da previsão de mais uma semana predominantemente seca. Em Iowa, o ritmo deve ganhar intensidade nesta semana ou na próxima. As condições climáticas norte-americanas, porém, não configuram, no momento, um fator de sustentação relevante para os preços. Os mapas meteorológicos indicam condições favoráveis ao avanço da colheita, e a Stag não identifica atualmente um catalisador climático altista significativo para a soja nos Estados Unidos. Com menor potencial de surpresa no balanço de oferta norte-americano e condições de colheita relativamente favoráveis, a demanda passa a concentrar a atenção do mercado.
A Stag estima que as compras de soja dos Estados Unidos pelo governo chinês estejam entre 15 milhões e 16 milhões de toneladas, ante estimativa anterior de 13 milhões a 14 milhões de toneladas. Nesse ritmo, ainda seriam necessárias aproximadamente 10 milhões de toneladas para completar o compromisso válido até o fim de dezembro. As margens de esmagamento na China, entretanto, perderam força. A valorização da soja não foi acompanhada por ganhos equivalentes nos preços do farelo e do óleo, enquanto o mercado de suínos permanece fraco. Esse ambiente tende a deixar os compradores comerciais chineses mais cautelosos e pode aumentar a pressão sobre agricultores e tradings dos Estados Unidos para reduzir os preços dos futuros e os prêmios FOB, com o objetivo de estimular a demanda e diminuir a pressão sobre a armazenagem associada à entrada da nova safra. O comportamento dos fundos especulativos representa um risco adicional para os preços.
Com posições compradas ainda relevantes, a ausência de aceleração das compras chinesas após o feriado da Semana Dourada pode elevar a pressão vendedora. A realização de lucros pelos fundos poderia reforçar o efeito sazonal da colheita norte-americana e ampliar as quedas dos contratos futuros. Apesar desse risco, eventual movimento baixista tende a ocorrer de forma gradual. O compromisso de compras chinesas permanece válido até o fim de dezembro, enquanto os agricultores norte-americanos apresentam maior possibilidade de reter parte das vendas na expectativa de uma retomada da demanda da China. Esse comportamento pode limitar novas quedas dos contratos futuros e dos prêmios FOB. No Brasil, as condições de plantio permanecem favoráveis, sem problemas relevantes até o momento. Os mapas meteorológicos atualizados indicam aumento das chuvas na Região Centro-Oeste, contribuindo para a recuperação da umidade do solo e favorecendo a aceleração da semeadura em Estados como Mato Grosso. Com o cenário atual, é limitada a justificativa para a incorporação de um prêmio climático sul-americano aos preços da soja.
O quadro climático brasileiro, contudo, permanece como variável de risco para a formação dos preços. Ainda é considerado prematuro avaliar como definitivamente favoráveis as condições de plantio. Um eventual retorno de um padrão mais quente e seco no Centro-Oeste poderia atrasar a semeadura, dificultar o estabelecimento das lavouras e recolocar rapidamente um prêmio climático sobre os contratos futuros de soja. Assim, após o Wasde de outubro, o mercado tende a concentrar sua atenção menos em alterações no balanço norte-americano e mais na combinação entre demanda chinesa e evolução do plantio brasileiro. Uma aceleração das compras da China reduziria a pressão sobre os preços dos futuros nos Estados Unidos, enquanto uma demanda mais fraca, combinada com a entrada da nova safra norte-americana e a atuação dos fundos, poderia ampliar a pressão baixista. No Brasil, a continuidade das chuvas e o avanço do plantio limitariam o prêmio climático, mas qualquer deterioração do padrão de umidade no Centro-Oeste poderia alterar rapidamente essa configuração. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.