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06/Oct/2026

El Niño pode reduzir safra brasileira de soja 2026/27

Segundo a Céleres, a produção brasileira de soja em 2026/27 pode recuar para 169,8 milhões de toneladas em um cenário pessimista de ocorrência de El Niño, volume 13,7 milhões de toneladas inferior ao cenário-base, de 183,5 milhões de toneladas. Nesse cenário, o estoque final brasileiro cairia para 1,2 milhão de toneladas, ante 1,9 milhão de toneladas na projeção-base. O principal risco está concentrado nas regiões que mais ampliaram a produção de soja nas últimas décadas. Historicamente, o El Niño tende a provocar perdas no Centro-Oeste, enquanto na Região Sul costuma apresentar condições de chuva mais favoráveis. O aumento da produção no Sul, em condições de El Niño, tende a compensar parcialmente as perdas de produtividade no Centro-Norte.

Entretanto, a participação da Região Sul na área plantada de soja caiu de 47,4% em 1997/98 para 27,7% na projeção para 2026/27, reduzindo a capacidade de compensação das regiões historicamente favorecidas pelo fenômeno. A intensidade projetada para o El Niño também amplia o risco. A previsão do Australian Bureau para o trimestre de novembro a janeiro indica desvio de 3,6°C na temperatura do Pacífico. Nos três episódios históricos em que o desvio alcançou 2°C ou mais, a produtividade brasileira de soja recuou em dois casos, reforçando a necessidade de monitoramento das condições climáticas ao longo do ciclo. No cenário pessimista, as exportações brasileiras de soja recuariam para 104,7 milhões de toneladas, ante 115,5 milhões de toneladas no cenário-base. O esmagamento também diminuiria, para 62,9 milhões de toneladas, ante 65 milhões de toneladas na projeção-base.

Nesse último cenário, a demanda da indústria é sustentada pelo consumo de farelo de soja, pelas exportações de derivados e pela expectativa de avanço do biodiesel em 2027. A menor disponibilidade de soja e a redução dos estoques podem aumentar a disputa entre exportadores e esmagadoras, favorecendo a sustentação dos basis e dos preços internos em níveis mais remuneradores ao produtor. O basis corresponde à diferença entre o preço praticado no mercado local e a cotação de referência em bolsa. A relação entre El Niño, quebra de produção e sustentação dos preços, contudo, não é automática. O histórico mostra resultados distintos. Em 2023/24, também sob influência do El Niño, o preço médio da soja caiu 31%, enquanto em 2015/16 houve alta de apenas 5%. A associação direta entre a ocorrência do fenômeno e a sustentação dos preços e das margens domésticas, portanto, exige cautela. Os efeitos econômicos também tendem a ser distribuídos de forma desigual entre as regiões produtoras.

Uma quebra de produtividade pode contribuir para elevar os preços, mas não necessariamente resulta em maior rentabilidade para todos os produtores. Regiões do Sul, que historicamente apresentam maior benefício em episódios de El Niño, podem capturar ganhos de margem, enquanto áreas afetadas por estiagens tendem a permanecer pressionadas mesmo diante de cotações mais elevadas. Em uma simulação de uma operação agrícola de 1.000 hectares em Primavera do Leste (MT), com cultivo de milho 2ª safra e utilização de maquinário próprio, o preço médio da soja é projetado em R$ 115,00 por saca de 60 Kg em 2026/27. A margem Ebitda, correspondente ao resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, seria equivalente a 7,6 sacas de 60 Kg por hectare, abaixo das 8,2 sacas de 60 Kg por hectare registradas na simulação para 2025/26. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.