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06/Oct/2026

Farelo de Soja: tendência de baixa para as cotações

A Stag International mantém viés de baixa para o farelo de soja, diante da combinação entre demanda externa fraca pelo produto norte-americano e expectativa de aumento do esmagamento nos Estados Unidos. A corretora avalia que o aperto de oferta que sustentou a valorização recente esteve concentrado no curto prazo e tende a perder força com o avanço da colheita. A alta do farelo nas últimas semanas foi associada a restrições temporárias, incluindo o ritmo mais lento da colheita, a elevada umidade da soja, compromissos de entrega mais próximos e a limitada disponibilidade de produto de outras origens. A diferença de preços entre contratos próximos e distantes, que havia se ampliado em favor dos vencimentos curtos, começa a se normalizar. Os mapas climáticos também apontam uma janela mais favorável para a secagem dos grãos e o avanço da colheita nos Estados Unidos.

O aperto observado no mercado merece atenção diante dos níveis confortáveis de estoques registrados em agosto. O levantamento mensal Fats and Oils, do governo dos Estados Unidos, que reúne dados de esmagamento e estoques de oleaginosas e derivados, apresentou números acima das estimativas da corretora. O principal ponto de atenção passa a ser a demanda externa. Nas cotações de 2 de outubro, a oferta norte-americana para novembro estava US$ 37,00 por tonelada curta, equivalente a cerca de 907 quilos, acima dos futuros de referência na Bolsa de Chicago. No Brasil, o diferencial era de US$ 25,00 por tonelada curta, enquanto na Argentina chegava a US$ 30,00. Embora os prêmios dos Estados Unidos tenham recuado na comparação semanal, permanecem significativamente acima das ofertas concorrentes de Brasil e Argentina.

As vendas semanais de exportação do farelo norte-americano também não indicam aceleração. A expectativa de aumento do esmagamento nos Estados Unidos amplia o potencial de pressão sobre os preços. A atividade deve crescer de forma relevante em razão de novas exigências da Agência de Proteção Ambiental (EPA) e da entrada de capacidade adicional de processamento. As margens de esmagamento, embora menos excepcionais do que nos meses anteriores, permanecem historicamente confortáveis. Como o farelo é coproduto da produção de óleo de soja, o aumento do esmagamento resulta em maior disponibilidade do derivado, enquanto a demanda doméstica norte-americana dificilmente teria capacidade de absorver integralmente esse volume adicional, elevando a necessidade de exportação. Há ainda o risco de o mercado estar projetando para 2026/27 uma repetição do desempenho observado no ano comercial anterior.

As vendas norte-americanas de farelo em 2025/26 começaram em ritmo forte porque a Argentina reduziu o esmagamento, em razão do aumento das exportações de soja em grão para a China, que limitou a disponibilidade de matéria-prima para a indústria local. Em abril de 2026, problemas nos embarques brasileiros destinados à Europa também abriram espaço para o produto norte-americano. As condições que sustentaram o desempenho das exportações de farelo dos Estados Unidos em 2025/26 foram consideradas específicas e, portanto, não necessariamente recorrentes. O mercado pode estar incorporando uma expectativa de repetição relativamente fácil desse desempenho, apesar de as condições de oferta e demanda que favoreceram as vendas norte-americanas não estarem necessariamente presentes no novo ciclo.

No Brasil, as linhas de embarque já indicam aproximadamente 2 milhões de toneladas de farelo nomeadas para outubro, e as exportações do mês podem alcançar 2,5 milhões de toneladas. Apesar do viés baixista, há fatores capazes de estabelecer um piso para os contratos futuros de farelo. Entre eles estão a demanda doméstica ainda forte nos Estados Unidos, a menor oferta de farelo de girassol do Mar Negro para a Europa e o remanescente do aperto observado no mercado de curto prazo. O principal teste para essa sustentação deverá ocorrer nos dados de exportação. Caso os embarques norte-americanos entre outubro e fevereiro indiquem um volume de aproximadamente 0,5 milhão a 0,9 milhão de toneladas inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, os futuros ou uma combinação dos dois deverá se ajustar para baixo. Esse movimento seria necessário para recuperar a competitividade do produto norte-americano e estimular demanda externa adicional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.