05/Oct/2026
Os preços do complexo soja registram recuo, depois de subirem de forma significativa em setembro. No mercado externo, a pressão vem do avanço da colheita da safra 2026/27 no Hemisfério Norte, enquanto no Brasil, o início da semeadura da nova temporada ganhou ritmo com o maior volume de chuvas. No Brasil, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura da safra 2026/27 alcançou 3,9% até 25 de setembro, em linha com a média dos últimos cinco anos. Em Mato Grosso, 5,7% da área havia sido semeada, e sojicultores da região norte desse estado relataram preocupações com as altas temperaturas, mas as recentes chuvas aliviaram o receio. Em Mato Grosso do Sul, 3% da área foi semeada, e, em Goiás, o percentual chegou a 1%. Em São Paulo, por outro lado, as frequentes chuvas têm impedido o início do cultivo. Há um ano, 2% da área estadual já havia sido semeada, enquanto neste ano, as atividades de campo ainda não começaram.
No Paraná, a Conab estima que a semeadura tenha alcançado 15% da área total. Já o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) aponta um percentual maior, de 28%. As regiões mais avançadas até 29 de setembro são Toledo, com 95% da área semeada; Cascavel, com 70%; Campo Mourão, com 51%; Francisco Beltrão, com 48%; Umuarama, com 49%; Dois Vizinhos, com 45%; e Pato Branco, com 30%. Nos Estados Unidos, há preocupações de que o clima úmido possa atrasar a colheita da safra 2026/27. Entretanto, segundo o relatório de acompanhamento de safras do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado em 28 de setembro, 17% da área cultivada com soja havia sido colhida até o dia 27 de setembro, cenário que está em linha com a média dos últimos cinco anos. A liquidez nacional está menor no mercado spot, diante da forte desvalorização externa, ocorrida após as tarifas sobre a soja ficarem fora das negociações entre os Estados Unidos e a China. A queda externa sustenta os prêmios de exportação no Brasil, limitando, assim, o repasse da desvalorização internacional aos preços domésticos.
Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 0,6%, cotado a R$ 160,90 por saca de 60 Kg. Em setembro, contudo, a média foi de R$ 161,14 por saca de 60 Kg, a maior desde ago/23, em termos reais (IGP-DI de ago/26), com altas de 7,3% frente à média de agosto/26 e de 14,6% em relação à de set/25. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 0,5% nos últimos sete dias, a R$ 154,35 por saca de 60 Kg. Na média de setembro, porém, alcançou R$ 153,82 por saca de 60 Kg, o maior valor mensal desde mar/23, em termos reais, 7,9% acima do registrado em agosto e 14% superior à média de set/25. Nos últimos sete dias, os preços registram recuo de 0,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,9% no mercado de lotes (negociação entre empresas).
Entre as médias de agosto e setembro, as altas foram de 8% tanto no mercado de balcão quanto no de lotes. No comparativo anual, o preço da soja pago ao produtor subiu 14,7%, e, no mercado de lotes, 15,5%, em termos nominais. No mercado de farelo de soja, grande parte dos consumidores intensificou as compras ao longo de setembro, e, assim, não há necessidade de novas aquisições no curto prazo. O preço do farelo registra recuo de 0,3% nos últimos sete dias. Em setembro, entretanto, o preço subiu 10,5% frente a agosto/26 e 25% em relação a set/25, em termos reais. No mercado de óleo de soja, a disparidade entre as ofertas de compradores e vendedores limita as negociações. O preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) apresenta baixa de 1% nos últimos sete dias, cotado a R$ 6.989,85 por tonelada. Em setembro, contudo, o preço médio do óleo de soja registrou o patamar mais alto desde nov/25, em termos reais, com alta de 3,9% em relação a agosto. O dólar, valorizado frente ao Real, também limitou o movimento baixista no Brasil, visto que tende a atrair importadores.
Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja (Nov/26) registra recuo de expressivos 2,5% nos últimos sete dias, a US$ 12,84 por bushel. Na média de setembro, contudo, o mesmo contrato se valorizou 8,9%, para US$ 13,06 por bushel, a maior média mensal desde dez/23, em termos nominais. O vencimento Out/26 do farelo de soja registra forte queda de 6,4% nos últimos sete dias, para US$ 388,12 por tonelada. Na média de setembro, porém, alcançou o maior patamar nominal desde jul/24, com alta de 12,7% frente a agosto. O contrato Out/26 do óleo de soja se mantém praticamente estável tanto nos últimos sete dias quanto na média mensal. Nos últimos sete dias, há leve alta de 0,1%, enquanto, entre as médias de agosto e setembro, houve leve baixa de 0,1%. Esse contrato encerrou o último mês de setembro a US$ 1.518,42 por tonelada. As quedas no mercado internacional, contudo, são limitadas pelos menores estoques de soja nos Estados Unidos. Segundo o relatório trimestral de estoques do USDA, os estoques norte-americanos somavam 8,57 milhões de toneladas em 1º de setembro, volume 3,16% inferior ao registrado no período equivalente do ano passado. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.