02/Oct/2026
A StoneX reduziu a estimativa de produção brasileira de soja na safra 2026/27 para 183,36 milhões de toneladas, ante 183,502 milhões de toneladas projetados em setembro. A revisão representa queda de 0,08%, equivalente a cerca de 142 mil toneladas. Apesar do ajuste, a consultoria mantém a expectativa de produção recorde, com avanço de 0,4% em relação aos 182,61 milhões de toneladas estimados para a safra 2025/26. A revisão foi motivada principalmente por um ajuste na área cultivada em Tocantins. A área nacional foi estimada em 49,44 milhões de hectares, ante 49,476 milhões de hectares no levantamento anterior. O plantio avança dentro da normalidade em boa parte das regiões produtoras, reduzindo as preocupações com a janela de cultivo da 2ª safra de 2027.
O ritmo de semeadura da soja influencia diretamente o período disponível para o plantio do milho cultivado após a colheita da oleaginosa. Apesar do andamento dos trabalhos, as condições climáticas permanecem como principal ponto de atenção para a produção no último trimestre do ano, especialmente em relação à distribuição das chuvas e às temperaturas. O fenômeno El Niño continua como fator de preocupação, com possibilidade de impactos principalmente nos Estados mais ao norte do Brasil. Entre os principais Estados produtores, Mato Grosso tem produção estimada em 48,674 milhões de toneladas. Para o Paraná, a projeção é de 23,325 milhões de toneladas e, para o Rio Grande do Sul, de 23,296 milhões de toneladas. No balanço de oferta e demanda da safra 2026/27, a StoneX manteve a previsão de exportações em 115 milhões de toneladas e o consumo doméstico em 68,5 milhões de toneladas.
Os estoques finais foram revisados para 8,55 milhões de toneladas, ante 8,7 milhões de toneladas na estimativa anterior. Com a produção projetada em nível recorde, a disponibilidade tende a ser suficiente para atender tanto à demanda interna quanto às exportações ao longo do próximo ano. No comércio internacional, a ausência de novidades na relação entre Estados Unidos e China no mercado de soja após a cúpula realizada em Washington, no fim de setembro, mantém a atratividade econômica da soja brasileira para os compradores chineses. A relação política entre os dois países, contudo, permanece como fator de monitoramento para o mercado nos próximos meses.
O Bradesco estima que a produção brasileira de soja deve alcançar 178,3 milhões de toneladas na safra 2026/27, abaixo das 180,4 milhões de toneladas colhidas em 2025/26, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A projeção ainda não considera eventuais perdas provocadas pelo El Niño. A redução é atribuída ao menor pacote tecnológico, à expansão da área em ritmo inferior ao observado recentemente e ao plantio precoce, combinação que tende a provocar acomodação da produtividade após o recorde registrado em 2025/26. Diante da demanda mundial sustentada pelos biocombustíveis, a perspectiva é de manutenção do suporte aos preços da oleaginosa. O crescimento da demanda mundial por soja tem superado as estimativas anteriores.
A expansão dos programas de biocombustíveis, impulsionada principalmente pelos preços elevados do petróleo, reduziu os estoques remanescentes da última safra, que estavam em níveis considerados confortáveis. Com isso, a demanda deve permanecer forte em 2026/27. Nos Estados Unidos, o programa de biocombustíveis deve absorver quase todo o incremento esperado da oferta norte-americana. A produção global de soja também deve crescer, mas em ritmo inferior ao avanço projetado para o consumo. Nos Estados Unidos, a expectativa é de aumento da safra, sustentado pela ampliação da área plantada e por boas produtividades. Na Argentina, a colheita tende a crescer, favorecida pelas chuvas acima da média associadas ao El Niño. No Brasil, a produção deve ficar ligeiramente abaixo da registrada em 2025/26, quando a produtividade alcançou nível recorde.
Nesse cenário, o balanço global de soja tende a apresentar déficit, segundo o Bradesco. A relação entre estoques e consumo deve recuar para o menor nível em três safras, dando sustentação às cotações. Nos Estados Unidos, a retomada das compras chinesas prevista no acordo firmado no ano passado pode tornar o balanço norte-americano mais apertado, em um mercado que já enfrenta pressão da demanda doméstica. O El Niño permanece como o principal risco para a produção brasileira em 2026/27. Embora o fenômeno tenha menor associação histórica com perdas na soja, o episódio de 2015/16 provocou redução do rendimento das lavouras. Caso um cenário semelhante se repita, com perdas no Centro-Oeste, no Norte e no Nordeste, o déficit global de soja poderá ser ampliado, com potencial de reforço adicional sobre as cotações. Apesar da elevação dos custos, a margem do produtor de soja pode aumentar na safra 2026/27.
Os custos de produção devem subir 4,1%, principalmente em razão dos fertilizantes fosfatados, mas a expectativa de preços mais elevados da soja tende a resultar em margens superiores para o produtor. O principal risco para a rentabilidade está concentrado no comportamento da produtividade das lavouras. Na avaliação climática, as chuvas acima da normalidade na Região Sul até agosto favoreceram as condições para o plantio da soja no Paraná, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A fase inicial da safra não deve apresentar riscos relevantes, mas a atenção se concentra em novembro e dezembro, período previsto para o pico do El Niño de maior intensidade. Os modelos meteorológicos indicam chuvas abaixo da normalidade no Norte de Mato Grosso e em algumas áreas do Matopiba. A menor disponibilidade de chuvas nessas áreas pode elevar a necessidade de replantio e aumentar os custos de produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.