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02/Oct/2026

Óleo de soja: excedente limita alta de preços no Brasil

A geração abaixo do necessário de créditos de biodiesel nos Estados Unidos aumentou o potencial de alta do óleo de soja, mas a Stag International ainda não identifica confirmação suficiente para caracterizar uma nova fase de valorização do produto. No Brasil, a projeção de exportações de óleo de soja em 2026 foi elevada para 2,25 milhões de toneladas. A maior disponibilidade do produto no fim do ano deve manter os prêmios FOB sob pressão. Em agosto, foram gerados 693 milhões de créditos D4, utilizados nos Estados Unidos para comprovar o cumprimento das metas de biodiesel, ante uma média mensal próxima de 850 milhões necessária para atender ao mandato. O resultado aumenta o volume de créditos que precisará ser gerado entre setembro e dezembro e, isoladamente, tende a dar sustentação aos créditos e ao óleo de soja. A reação do mercado, porém, foi limitada. Os contratos futuros do óleo de soja avançaram apenas moderadamente após a divulgação dos dados, enquanto os créditos D4 não acompanharam o movimento. Ainda não há evidências suficientes para indicar uma nova fase de alta do óleo de soja.

Uma das explicações está na expectativa pela decisão da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) sobre as isenções concedidas a pequenas refinarias. A definição, esperada para outubro, pode alterar o volume de créditos necessário para o cumprimento efetivo das metas de biocombustíveis em 2026. A geração mais fraca de créditos também pode indicar uma demanda por matérias-primas para biocombustíveis abaixo do esperado, caso os produtores estejam ampliando o uso de alternativas ao óleo de soja. Ao mesmo tempo, a colheita norte-americana ainda não avançou o suficiente para elevar de forma relevante a disponibilidade de soja destinada ao esmagamento. No Brasil, a produção de biodiesel em agosto ficou ligeiramente acima da projeção, sem alterar a expectativa para os meses seguintes. A previsão é de desaceleração do crescimento da demanda por diesel e não projeta, no curto prazo, aumento da mistura obrigatória de biodiesel. O óleo de soja respondeu por cerca de 76% a 78% das matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel em agosto, participação praticamente estável em relação aos meses anteriores.

Com base nos dados mais recentes e na programação de embarques, a Stag elevou as projeções de exportação para o período de setembro a dezembro e passou a estimar embarques de 2,25 milhões de toneladas de óleo de soja pelo Brasil em 2026. Os embarques são estimados em 211 mil toneladas em setembro, 200 mil toneladas em outubro, 170 mil toneladas em novembro e 150 mil toneladas em dezembro. Com o crescimento mais lento da demanda por diesel, a disponibilidade de soja da safra anterior e a ausência de avanço relevante da participação do óleo de soja na produção de biodiesel, os prêmios FOB brasileiros tendem a permanecer pressionados para atrair compradores externos. A maior disponibilidade brasileira funciona como contraponto ao sinal de alta observado nos Estados Unidos. Mesmo com a geração de créditos D4 abaixo do ritmo necessário, o volume adicional de óleo de soja destinado à exportação pelo Brasil tende a limitar a valorização do produto no mercado físico internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.