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01/Oct/2026

Safra menor no Brasil ganha atenção em Chicago

A estimativa de uma safra brasileira de soja 2026/27 abaixo de 175 milhões de toneladas passou a ganhar destaque na Bolsa de Chicago, em meio à recuperação das cotações após uma semana de pressão. A StoneX avalia que a projeção de 173,75 milhões de toneladas da Pátria AgroNegócios trouxe cautela ao mercado, embora o plantio brasileiro esteja começando em ritmo ligeiramente superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A estimativa da Pátria AgroNegócios representa queda de 3,3% ante a safra anterior. A área cultivada é projetada em 49 milhões de hectares, avanço de 0,77%, enquanto a produtividade média deve alcançar 3,545 toneladas por hectare, recuo de 3,3%. O crescimento mais limitado da área é associado à redução da rentabilidade da soja e à preocupação com possíveis impactos do El Niño. A projeção, contudo, ainda não incorpora eventuais perdas provocadas pelo fenômeno climático. Nas últimas semanas, o mercado trabalhava com estimativas entre 178 milhões e 185,6 milhões de toneladas para a produção brasileira em 2026/27, com parcela relevante das projeções indicando novo recorde.

Nesse contexto, a previsão da Pátria AgroNegócios representa a primeira estimativa em nível tão baixo. O plantio, por enquanto, não apresenta atraso. Levantamentos da AgroWorld e da Pátria AgroNegócios indicam avanço de 3,4% a 4,4% da área, ante intervalo de 3,2% a 4,2% no mesmo período de 2025. Dados apontam semeadura de 4,39% da área, acima dos 4,15% registrados em igual período do ano passado e da média de cinco anos, de 1,44%. A AgRural estimou o plantio em 3,4%, também acima do ano anterior. O avanço inicial é favorecido pela chegada antecipada de chuvas em parte do Centro-Oeste e em áreas do Paraná. As condições são consideradas favoráveis à semeadura em Mato Grosso, Rondônia, Mato Grosso do Sul e sul de Goiás, além de bom avanço no Paraná. A principal dúvida passa a ser a manutenção desse ritmo diante dos riscos associados ao El Niño. A perspectiva para a produção brasileira ganhou importância em Chicago porque a soja encontrou compradores durante a queda recente, mas o mercado permanece dividido entre fundamentos de demanda nos Estados Unidos e a ausência de novos compromissos relevantes da China.

A recuperação das cotações ocorreu durante a sessão regular norte-americana, indicando influência mais concentrada nos fundamentos dos Estados Unidos. O programa de exportação norte-americano permanece forte, enquanto a demanda doméstica por biodiesel também sustenta o consumo. Paralelamente, algumas indústrias de esmagamento demonstram preocupação com a disponibilidade de soja no curto prazo, em um cenário de colheita nos Estados Unidos. Há relatos de atrasos na colheita provocados por chuvas em algumas regiões e de problemas pontuais relacionados a mofo. Esse cenário levou compradores a aproveitar a correção dos preços para recompor posições. A combinação entre preços mais baixos e preocupações localizadas com a oferta estimulou compras durante a queda. Os dados oficiais, contudo, ainda não mostram deterioração das condições das lavouras. A soja dos Estados Unidos permanece com 58% das áreas classificadas em condição boa ou excelente, percentual estável há duas semanas e em linha com a média de cinco anos.

A colheita alcança 17% da área, também em linha com a média de cinco anos e ligeiramente abaixo dos 18% registrados no mesmo período de 2025. Dessa forma, os relatos de atraso na colheita e problemas com mofo ainda não se refletem nos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o que mantém o acompanhamento das próximas semanas como fator relevante. Na China, o cenário é menos favorável à recuperação da demanda por soja norte-americana. A China não assumiu compromisso de ampliar as compras do produto dos Estados Unidos após a reunião com os Estados Unidos na semana anterior. As negociações prolongaram a trégua comercial até janeiro de 2027, mas a soja ficou fora da lista de produtos considerados não sensíveis e isentos de tarifa, permanecendo sujeita a uma alíquota de 10%. Na prática, os importadores privados chineses continuam sujeitos à tarifa para aquisição de soja dos Estados Unidos. O impacto é diferente nas compras realizadas pela Sinograin, estatal chinesa, uma vez que a cobrança representa, na prática, uma tributação dentro do próprio governo.

Mesmo nesse canal, porém, não houve sinal de compras adicionais em volume relevante. Desde a reunião, a China teria adquirido 120 mil toneladas de soja norte-americana. Outro ponto de atenção é o leilão doméstico realizado pela Sinograin. A estatal vendeu aproximadamente 192 mil toneladas de soja importada de estoques antigos no mercado chinês, equivalente a apenas 37% do volume ofertado. O resultado indica menor necessidade imediata de recomposição dos estoques por meio de novas importações. Esse quadro é compatível com uma demanda chinesa mais fraca, estoques elevados nas indústrias de esmagamento, margens de processamento desfavoráveis e preferência dos compradores privados por soja de origem sul-americana. Assim, enquanto uma possível safra brasileira menor em 2026/27 passa a integrar as variáveis observadas na Bolsa de Chicago, a ausência de maior demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos limita a reação das cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.