01/Oct/2026
Segundo a StoneX, o Brasil pode absorver parte da demanda de países que atualmente compram soja dos Estados Unidos caso a China adquira integralmente as 25 milhões de toneladas previstas no compromisso comercial. O atendimento à demanda chinesa, combinado ao consumo das esmagadoras norte-americanas, poderia limitar as vendas dos Estados Unidos a outros destinos na temporada 2026/27. A StoneX projeta exportações norte-americanas de 45,86 milhões de toneladas, mesmo volume estimado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Nesse cenário, aproximadamente 16 milhões de toneladas poderiam ser destinadas à China. Caso as compras chinesas alcancem integralmente 25 milhões de toneladas, as exportações dos Estados Unidos poderiam atingir 50,35 milhões de toneladas, exigindo redirecionamento de parte da demanda de outros compradores para o Brasil.
A transferência dessa demanda dependeria de ajustes nos preços relativos entre as duas origens. Para ampliar a competitividade da soja brasileira frente à norte-americana, seria necessário um diferencial de preços favorável ao produto brasileiro, com prêmios mais baixos no Brasil e eventual valorização relativa dos preços nos Estados Unidos. Em um cenário de exportações norte-americanas mais elevadas, os estoques finais dos Estados Unidos poderiam recuar para 5,28 milhões de toneladas, ante 7,92 milhões de toneladas na projeção principal. A simulação também considera aumento das importações e redução de outros usos domésticos. Trata-se de um cenário alternativo condicionado à concretização de compras chinesas adicionais. A manutenção da soja fora do alívio tarifário anunciado após a cúpula entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, provocou reação nas cotações.
As estatais chinesas, responsáveis pelas compras recentes, mantêm capacidade de aquisição de até 25 milhões de toneladas do produto norte-americano. A eventual retirada da tarifa poderia ampliar a participação das esmagadoras privadas chinesas, mas a manutenção da medida não impede as compras realizadas pelas empresas estatais. As compras chinesas de soja dos Estados Unidos também ocorreram em períodos nos quais o produto norte-americano apresentava preços superiores aos de concorrentes. Dessa forma, a ausência de alívio tarifário para a soja não implica, isoladamente, interrupção da demanda chinesa pelo produto dos Estados Unidos. As vendas norte-americanas de soja para exportação iniciaram a temporada 2026/27 no ritmo mais forte em quatro anos. Até 17 de setembro, os compromissos de exportação somavam 21,20 milhões de toneladas. O desempenho ocorre em um ambiente de crescimento do processamento doméstico de soja, que absorve parcela maior da oferta norte-americana.
A queda das cotações após a cúpula entre Estados Unidos e China também esteve relacionada às expectativas elevadas dos investidores e ao volume de posições compradas mantidas pelos fundos. A ausência de anúncios compatíveis com essas expectativas estimulou a realização de lucros, apesar do avanço nas relações comerciais entre Estados Unidos e China. O cenário mantém a China como variável central para a formação do fluxo internacional de soja na temporada 2026/27. Caso as compras chinesas nos Estados Unidos avancem para 25 milhões de toneladas, a maior absorção da oferta norte-americana poderá reduzir a disponibilidade para outros destinos e abrir espaço para o Brasil, desde que os diferenciais de preços e prêmios tornem a origem brasileira mais competitiva. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.