30/Sep/2026
Segundo a StoneX, a sobretaxa de 10% mantida pela China sobre a soja dos Estados Unidos continua favorecendo o produto brasileiro na formação de custos dos esmagadores privados chineses, mas a entressafra no Brasil abre uma janela para a soja norte-americana nos meses de maior necessidade de matéria-prima pela China. Essa vantagem dos Estados Unidos tende a perder força com o início da colheita brasileira. A soja em grão ficou fora da lista de produtos com tarifas reduzidas divulgada pela China após a cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. A relação inclui milho, trigo, sorgo, farelo de soja e algodão. A tarifa remanescente de 10% mantém a soja norte-americana em posição menos competitiva para os esmagadores privados chineses e permanece como instrumento de negociação comercial entre os dois países.
A oleaginosa é o produto agrícola com maior capacidade de absorção pela China entre as principais commodities norte-americanas. Embora o Brasil não tenha sido mencionado diretamente no entendimento, a configuração das tarifas tende a favorecer sua posição competitiva no mercado chinês. O calendário de oferta explica a janela para os Estados Unidos. As exportações brasileiras de soja vêm recuando há alguns meses e a tendência é de nova redução durante o período em que a China precisa retomar o ritmo de compras. Ao mesmo tempo, os estoques de soja nos principais portos chineses alcançam 9,2 milhões de toneladas, nível recorde, mas apresentam queda sazonal. As maiores necessidades das esmagadoras chinesas estão concentradas em dezembro e janeiro. O Brasil permanece como principal fornecedor de soja para a China, à frente de Estados Unidos, Argentina e Canadá.
Os embarques brasileiros mais recentes, contudo, ainda apresentam defasagem para aparecer nos dados alfandegários chineses, o que contribui para o descasamento entre a disponibilidade de produto e a necessidade imediata das indústrias. As compras chinesas de soja norte-americana já refletem esse cenário. As estatais Sinograin e Cofco adquiriram mais de 12 milhões de toneladas, volume próximo da metade dos 25 milhões de toneladas anuais que o governo dos Estados Unidos indica como compromisso de compras da China até 2028. A menor disponibilidade relativa de soja da América do Sul durante a entressafra amplia os incentivos econômicos para a aquisição do produto norte-americano. Essa configuração, porém, tende a perder força com a permanência da tarifa de 10% e a chegada da nova safra brasileira.
Com o início da colheita, a maior disponibilidade de soja no Brasil deve alterar novamente o cálculo econômico das compras chinesas, favorecendo o produto brasileiro em relação ao norte-americano. A manutenção de compras elevadas dos Estados Unidos também passa a depender de fatores comerciais e políticos, além da comparação de preços entre as origens. No Brasil, o plantio da soja 2026/27 avança em ritmo considerado favorável, enquanto a projeção é de aumento da oferta, embora com expansão de área mais moderada do que nos últimos anos. O comportamento climático passa a concentrar a atenção para a definição do potencial produtivo. A influência do El Niño tende a elevar o risco de seca nas Regiões Norte e Nordeste, com possíveis impactos sobre a produtividade, enquanto o fenômeno pode favorecer as condições climáticas no Rio Grande do Sul. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.