ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

30/Sep/2026

Clima no Brasil ganha peso na formação dos preços

A decisão da China de comprar 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos por ano nos próximos três anos aumenta a previsibilidade da demanda pela oleaginosa norte-americana, mas reduz o espaço para novas altas dos preços em relação às expectativas anteriores do mercado, segundo avaliação da Stag International. Com a manutenção da tarifa adicional de 10% sobre a soja dos Estados Unidos e a perspectiva de continuidade do controle das compras pelo governo chinês, o volume de 25 milhões de toneladas tende a funcionar como limite para as aquisições, e não como referência inicial para volumes superiores. Além da tarifa adicional de 10%, a soja dos Estados Unidos continua sujeita à tarifa de 3% aplicada pela China às importações do produto. A estrutura das compras prevê manutenção do controle pela China e posterior realização de leilões da soja adquirida para as esmagadoras domésticas, restringindo a participação direta das empresas privadas chinesas.

Sem essa limitação, preços competitivos da soja norte-americana poderiam levar as compras chinesas para uma faixa de 26 milhões a 30 milhões de toneladas. A manutenção das tarifas, entretanto, reduz a vantagem de preço da soja dos Estados Unidos em relação ao produto brasileiro no mercado chinês. Na origem, a soja brasileira da safra velha estava cerca de US$ 10 por tonelada mais cara que a norte-americana, mas essa diferença é revertida após a aplicação das tarifas chinesas sobre o produto dos Estados Unidos. Mesmo com as compras chinesas limitadas a 25 milhões de toneladas, o balanço de oferta e demanda da soja norte-americana para 2026/27 permanece apertado. Considerando as aquisições chinesas nesse nível e um esmagamento de 74,8 milhões de toneladas, a Stag estima que restariam apenas 21 milhões a 22 milhões de toneladas para os demais destinos.

Historicamente, compradores fora da China absorvem mais de 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos por safra, o que exigiria alguma redução da demanda de outros países para o fechamento do balanço norte-americano. A Stag estima que o governo chinês já tenha adquirido entre 13 milhões e 14 milhões de toneladas, restando entre 11 milhões e 12 milhões de toneladas a serem compradas até o fim de dezembro. A corretora mantém, portanto, a projeção de 25 milhões de toneladas para as compras chinesas e não incorpora volumes adicionais ao cenário. Para a safra passada, a expectativa é de que o relatório trimestral de estoques de grãos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para esta quarta-feira (30/09), mostre estoques de passagem de 311 milhões de bushels, ante 325 milhões de bushels indicados no relatório de oferta e demanda de setembro.

A Stag considera o dado levemente altista, mas sem caráter decisivo, uma vez que o mercado de farelo de soja já vinha sinalizando a maior restrição do balanço. Com a demanda chinesa mais definida e o período de definição do clima nos Estados Unidos praticamente encerrado, a atenção do mercado se desloca para a América do Sul. Eventual revisão para cima das compras chinesas dependerá principalmente do comportamento do clima no Brasil nos próximos três meses e dos impactos sobre as perspectivas de oferta e sobre a competitividade da soja sul-americana. Nesse contexto, o clima brasileiro passa a ser apontado como a principal variável para a formação dos preços da soja na Bolsa de Chicago. Até o momento, o plantio brasileiro não apresenta desvios relevantes em relação ao padrão histórico. A semeadura alcançava 3,9% da área nas 12 Unidades da Federação acompanhadas, ante média de cinco anos de 3,6%.

Em Mato Grosso, o plantio atingia 5,7%, em linha com a média histórica, enquanto no Paraná chegava a 15%, acima da média de 12,6%. A principal incerteza está concentrada no comportamento das chuvas no Centro-Oeste. Os modelos meteorológicos ainda apresentam divergências para a região, embora as previsões para o período de seis a dez dias indiquem aumento das precipitações. A perspectiva tende a melhorar a umidade do solo e favorecer a germinação e o avanço da semeadura nas áreas do centro-norte do País. Diante desse cenário, por enquanto, não há necessidade de incorporar um prêmio climático relevante aos preços da soja. Outro fator monitorado é a disposição dos produtores brasileiros em comercializar a soja remanescente da safra 2025/26. A Stag observa retenção da oferta mesmo após a queda dos contratos futuros, movimento que mantém a soja dos Estados Unidos mais competitiva para atender à demanda do quarto trimestre. Uma eventual liberação dos estoques brasileiros a preços mais baixos poderia elevar a concorrência do Brasil em destinos fora da China antes da entrada da nova safra.

Ao mesmo tempo, a maior concentração das compras chinesas na soja dos Estados Unidos pode exercer pressão sobre os preços no Brasil. Uma rotação mais rápida dos estoques norte-americanos mantidos pelo governo chinês reduziria a necessidade de novas compras em outras origens, mesmo em um cenário de balanço apertado nos Estados Unidos. No mercado futuro da Bolsa de Chicago, há pouco espaço para uma ampliação agressiva das posições compradas neste momento. Parte relevante da valorização recente coincidiu com o aumento das posições dos fundos e, segundo a relação estimada pela corretora, uma redução de 10 mil contratos na posição líquida comprada poderia retirar aproximadamente 10 centavos de dólar por bushel dos preços futuros. O comportamento das posições financeiras, combinado com a definição da demanda chinesa e a evolução do clima no Brasil, tende a manter esses fatores como referências importantes para a formação das cotações nas próximas semanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.