30/Sep/2026
Segundo a AgResource, nem mesmo uma safra recorde de soja nos Estados Unidos deve ser suficiente para impedir a redução dos estoques norte-americanos. A demanda deve superar a produção na temporada 2026/27, sustentada por margens elevadas de esmagamento e pela expectativa de novas compras chinesas. Nesse cenário, o mercado passa de uma dinâmica predominantemente determinada pelo tamanho da oferta para outra em que o comportamento do consumo ganha importância crescente na formação dos preços. A China deve adquirir cerca de US$ 5,5 bilhões adicionais em soja dos Estados Unidos até 31 de dezembro, volume equivalente a aproximadamente 10 milhões de toneladas.
Os embarques podem ocorrer somente no próximo ano. Além disso, há projeção de compras adicionais de outros produtos agrícolas norte-americanos entre US$ 10 bilhões e US$ 11 bilhões. A ausência de novas compras chinesas imediatamente após as negociações recentes entre Estados Unidos e China não alterou a avaliação. O comércio permanece sob controle do governo chinês, enquanto as tarifas incidentes sobre a soja norte-americana não foram reduzidas. Nesse contexto, a principal variável para o mercado será o cumprimento dos volumes esperados de aquisição, independentemente do momento em que os negócios forem formalmente anunciados.
A demanda doméstica nos Estados Unidos também permanece firme. As margens de esmagamento de soja no centro de Illinois estão próximas de US$ 3,60 por bushel, nível considerado elevado para setembro. A rentabilidade do processamento tende a manter o esmagamento norte-americano acima do registrado no ano anterior, mesmo diante de uma safra de soja de grande volume. A combinação entre produção recorde e redução dos estoques reforça a predominância de uma dinâmica de mercado liderada pela demanda. O Brasil ganha importância nesse balanço para a temporada 2026/27. As primeiras projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam aumento de apenas 1,4% na área cultivada com soja no País, avanço considerado como o menor em décadas.
Com condições climáticas normais, a produção brasileira ficaria praticamente estável em relação à temporada anterior, o que abre a possibilidade de queda das exportações brasileiras de soja pela primeira vez em uma década. As projeções para a produção brasileira ainda podem ser revisadas conforme o plantio avance e as condições climáticas sejam definidas. A evolução do clima na América do Sul será determinante para o balanço global nos próximos nove a 12 meses, especialmente diante da perspectiva de estoques mais apertados nas principais culturas.
Para o relatório trimestral de estoques do USDA, previsto para esta quarta-feira (30/09), a expectativa é de que não ocorram grandes revisões nos balanços de milho e soja da temporada 2025/26. Com o avanço da colheita norte-americana e maior definição sobre o tamanho das safras, a sustentação dos preços dependerá progressivamente da capacidade da demanda de absorver a oferta disponível. A disponibilidade de grãos tende a ser elevada no início da colheita, mas a disputa pelo produto pode aumentar posteriormente, à medida que o mercado avance para uma fase de maior necessidade de reposição dos estoques. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.