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30/Sep/2026

Argentina: El Niño pode elevar potencial da safra

Segundo a Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), a produção argentina de soja pode superar a projeção inicial para a safra 2026/27 caso o El Niño amplie a disponibilidade de água sem provocar excesso de precipitações durante o desenvolvimento das lavouras. A avaliação estima inicialmente uma colheita de 47,8 milhões de toneladas, considerando aumento de 2% na intenção de plantio e produtividade calculada, neste momento, com base na média dos últimos cinco anos. As condições de umidade ainda são desfavoráveis em parcela relevante da principal região produtora. Cerca de 70% da região núcleo apresenta algum nível de escassez hídrica ou seca, enquanto no mesmo período da temporada anterior as reservas de água no solo variavam entre níveis adequados e excedentes.

Apesar da situação atual de menor disponibilidade hídrica, a condição inicial pode reduzir o risco de entrada no período mais chuvoso com solos saturados. A BCR trabalha com um cenário de El Niño de intensidade forte a muito forte, acompanhado por maior aquecimento das águas do Pacífico entre outubro e dezembro. O período coincide com uma fase de elevada necessidade de água pelas culturas de verão na Argentina. A entidade avalia que as características específicas do atual episódio podem favorecer o desenvolvimento das lavouras, diferentemente do comportamento observado no El Niño de 2015/16, utilizado como referência, quando o maior aquecimento ocorreu mais tarde, no fim do verão e início do outono, provocando problemas durante a colheita. As projeções climáticas indicam chuvas 25% acima da média em outubro na região núcleo, principal área agrícola da Argentina, que engloba partes das províncias de Santa Fe, Córdoba e Buenos Aires.

Para novembro, a estimativa aponta precipitações 70% acima do padrão, enquanto em dezembro o volume pode ficar 90% acima da média. Nesse último mês, quando a região normalmente recebe cerca de 120 milímetros, a projeção da BCR indica precipitações entre 200 e 220 milímetros. A distribuição das chuvas será determinante para a evolução das lavouras e para eventuais revisões da estimativa de produção. O cenário climático apresenta potencial de melhora do balanço hídrico, mas também aumenta o risco de excesso de precipitações ao longo do desenvolvimento da safra. Caso a água seja suficiente para recompor as reservas do solo sem provocar problemas agronômicos, o potencial produtivo argentino poderá superar a projeção inicial. A influência do Oceano Atlântico pode atuar como moderador desse risco.

Uma anomalia de águas mais frias prevista junto à costa argentina entre outubro e dezembro tende a reduzir parte do aporte adicional de umidade para a atmosfera e, consequentemente, limitar a intensidade das chuvas associadas ao El Niño. A interação entre as condições do Pacífico e do Atlântico será, portanto, relevante para determinar a distribuição e o volume das precipitações durante o período crítico da safra. Nesse contexto, a evolução das chuvas entre outubro e dezembro será um dos principais fatores para a definição do potencial produtivo da soja argentina em 2026/27. O cenário inicial combina intenção de plantio maior, produtividade baseada na média dos últimos cinco anos e possibilidade de recuperação das condições hídricas, mas permanece condicionado à ocorrência de precipitações suficientes e bem distribuídas, sem excesso capaz de provocar perdas durante o ciclo das lavouras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.