29/Sep/2026
Os futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam em queda nesta segunda-feira (28/09), pressionados pela liquidação de posições compradas após a oleaginosa ficar fora do pacote de alívio tarifário anunciado por China e Estados Unidos. Os embarques de soja em grão dos Estados Unidos para o mercado chinês continuam sujeitos à sobretaxa retaliatória de 10%, além da alíquota de 3% de Nação Mais Favorecida (MFN). O contrato novembro recuou 30,75 centavos de dólar por bushel, ou 2,33%, e fechou a US$ 12,88 por bushel. A reação foi ampliada pelo elevado posicionamento comprado dos fundos na Bolsa de Chicago. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostram que a posição líquida comprada desses agentes aumentou 9,80% na semana encerrada em 22 de setembro, passando de 241.501 para 265.159 contratos. O volume ficou próximo do recorde de quase 270 mil contratos registrado em 8 de setembro.
A exclusão da soja do alívio tarifário aumentou a pressão para a realização dessas posições. China e Estados Unidos divulgaram as listas de produtos contemplados no acordo recíproco de redução tarifária de até US$ 30 bilhões de cada lado. O alívio anunciado pela China abrange milho, trigo, sorgo, carnes bovina, suína e de aves, lácteos e derivados da soja, como óleo e farelo. A soja em grão, porém, permaneceu sujeita às tarifas atuais, o que trouxe impacto negativo para as cotações. Apesar da manutenção das tarifas, a China continua comprando soja dos Estados Unidos. Segundo a StoneX, o país asiático já adquiriu mais da metade do compromisso de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana, com as compras realizadas principalmente por empresas estatais. O volume mantém fluxo relevante de demanda para a soja dos Estados Unidos, mesmo com o acesso dos compradores privados ainda limitado pela sobretaxa.
Dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que 1,15 milhão de toneladas de soja foram inspecionadas para embarque nos portos norte-americanos na semana encerrada em 24 de setembro, alta de 49,8% ante a semana anterior. Desse total, 806.776 toneladas tinham a China como destino, reforçando a participação do país asiático no fluxo de exportações norte-americanas. O desempenho do farelo de soja também contribuiu para a pressão sobre os contratos da oleaginosa, com queda superior a 3% nesta segunda-feira (28/09). O derivado passou por realização de lucros após acumular valorização de 3,45% na semana anterior. A alta recente do farelo vinha sendo sustentada, em parte, pelas chuvas em regiões do Meio Oeste dos Estados Unidos, que atrasam a colheita e restringem temporariamente a disponibilidade de soja para as esmagadoras. Com o avanço lento dos trabalhos de campo, as esmagadoras localizadas no oeste do cinturão produtor encontram maior dificuldade para garantir matéria-prima, mantendo o mercado físico mais apertado e dando suporte aos preços do farelo.
Esse fator limita parcialmente a pressão baixista sobre os derivados da soja, mesmo diante da realização de lucros observada nesta segunda-feira (28/09). Os traders também ajustaram posições antes da divulgação do relatório trimestral de estoques do USDA, prevista para esta quarta-feira (30/09). Pesquisa com analistas indica expectativa de estoques de soja nos Estados Unidos em 1º de setembro de 8,79 milhões de toneladas, abaixo dos 8,85 milhões de toneladas registrados um ano antes. No Brasil, a AgRural estima que 3,4% da área prevista para a soja da safra 2026/27 estava semeada até o dia 24 de setembro, ante 1,2% uma semana antes e 3,2% no mesmo período do ano anterior. O avanço do plantio brasileiro adiciona uma variável de oferta ao mercado internacional em um momento de forte sensibilidade das cotações às decisões comerciais entre China e Estados Unidos, ao posicionamento dos fundos e ao ritmo da colheita norte-americana.