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29/Sep/2026

China mantém tarifa sobre a soja norte-americana

China e Estados Unidos divulgaram as listas de produtos contemplados no acordo recíproco de redução tarifária de até US$ 30 bilhões de cada lado, no chamado marco “30 por 30”, com ampla gama de itens agropecuários das exportações norte-americanas, segundo comunicado do Ministério do Comércio da China e do governo norte-americano. A soja em grão (principal produto negociado entre os dois países) ficou fora do pacote de alívio, mantendo a tarifa adicional sobre as importações. Com isso, os embarques de soja dos Estados Unidos para o mercado chinês continuam sujeitos à sobretaxa retaliatória de 10%, somada à alíquota de 3% de Nação Mais Favorecida (MFN). Em contrapartida, cerca de 90% dos itens incluídos na lista chinesa devem voltar aos níveis de MFN após a conclusão dos trâmites legais em ambos os países, com isenção das tarifas adicionais acumuladas nos últimos anos.

O alívio anunciado pela China abrange milho, trigo, sorgo, carnes bovina, suína e de aves, lácteos e derivados como óleo de soja e farelo de soja. A operacionalização das novas alíquotas ficará a cargo do recém-criado Conselho de Comércio EUA-China, chefiado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pelo representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng. O regulamento do conselho prevê a criação de um Grupo de Trabalho de Agricultura, com 1ª reunião prevista até o fim do ano, para monitorar fluxos do setor e propor ajustes periódicos nas listas. Não foi informado quando o acordo entrará em vigor. A decisão da China de manter a tarifa adicional de 10% sobre a soja dos Estados Unidos, enquanto prevê reduzir encargos sobre outros produtos agrícolas norte-americanos, preserva a oleaginosa como instrumento de negociação nas próximas rodadas comerciais.

A exclusão da soja da lista tarifária divulgada nesta segunda-feira (28/09) provocou reação negativa no mercado. A tarifa adicional de 10% é considerada elevada para ser absorvida pelas esmagadoras privadas chinesas. A manutenção da cobrança mantém a soja como uma importante variável de negociação para a China, considerando que a oleaginosa é historicamente o principal produto agrícola vendido pelos Estados Unidos ao país asiático. A tarifa aplicada aos compradores privados também permite à China regular o fluxo de importações. Esse mecanismo ajuda a explicar a diferença entre o comportamento das empresas estatais e privadas chinesas nas compras recentes de soja norte-americana. As aquisições ficaram concentradas em empresas estatais, enquanto as esmagadoras privadas praticamente não têm comprado o produto dos Estados Unidos.

Sinograin e Cofco já adquiriram mais de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana, volume equivalente a quase metade dos 25 milhões de toneladas que o governo norte-americano aponta como compromisso anual chinês até 2028. A reação negativa desta segunda-feira (28/09) reflete inicialmente a concentração do mercado na permanência da tarifa sobre a soja, em detrimento do efeito potencial da retirada de encargos sobre o milho e outros produtos agrícolas. A percepção pode mudar caso os participantes passem a incorporar nas cotações o potencial de novas compras chinesas de milho, arroz, sorgo ou trigo. A soja também entra nesse cenário com elevado posicionamento especulativo. Na semana encerrada em 22 de setembro, os grandes gestores foram compradores líquidos de 24 mil contratos da oleaginosa, elevando a posição líquida comprada para 265 mil contratos, maior volume já registrado e acima do recorde anterior de 257 mil contratos, observado duas semanas antes.

A concentração de posições compradas aumenta a exposição do mercado a movimentos de liquidação diante de notícias negativas, ampliando a sensibilidade dos futuros a mudanças nas expectativas comerciais. No mercado físico norte-americano, por outro lado, a disponibilidade permanece apertada em algumas regiões. As chuvas excessivas estão atrasando a colheita no oeste do cinturão produtor e levando esmagadoras a elevar os prêmios para garantir matéria-prima. Mas, esses prêmios tendem a perder força com a retomada da colheita e a consequente ampliação da disponibilidade física. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta esmagamento recorde de 75,7 milhões de toneladas nesta temporada. A Associação Americana de Soja (ASA) lamentou a exclusão da soja dos Estados Unidos da lista de produtos agrícolas que receberão alívio tarifário adicional da China após a cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping na semana passada.

A entidade considerou positivo, porém, o compromisso chinês de comprar no mínimo 25 milhões de toneladas de soja norte-americana por ano em 2026, 2027 e 2028. Os compromissos anuais representam uma fonte de demanda e de previsibilidade para os produtores norte-americanos. A China permanece como um mercado relevante para a soja dos Estados Unidos, e a entidade defende o cumprimento integral dos volumes acordados. A tarifa retaliatória adicional de 10% mantida pela China limita o acesso dos importadores privados chineses à soja norte-americana. Como consequência, o comércio permanece concentrado principalmente em empresas estatais. A retirada da tarifa aumentaria a competitividade da soja dos Estados Unidos e ampliaria as oportunidades de comercialização junto às esmagadoras e demais compradores privados chineses.

A ASA também considerou positivo o compromisso de Estados Unidos e China de realizar mais duas reuniões antes do novo prazo da trégua comercial, marcado para 10 de janeiro de 2027. A entidade defende que as próximas negociações avancem em direção a um acordo que proporcione condições adicionais de acesso da soja norte-americana ao mercado chinês. Além das negociações comerciais, a associação destaca o mercado doméstico de biocombustíveis como fator relevante para a rentabilidade dos produtores de soja dos Estados Unidos. Nesse contexto, a ASA apoia a defesa, pelo governo Trump, de um padrão robusto de combustíveis renováveis e de políticas favoráveis ao uso de diesel de biomassa, que contribuem para sustentar a demanda interna por óleo de soja e, consequentemente, pela oleaginosa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.