29/Sep/2026
Segundo a StoneX, a eventual adoção da mistura de 16% de biodiesel ao diesel, o B16, a partir de março de 2027 pode elevar as vendas do biocombustível no Brasil para 11,2 milhões de metros cúbicos, alta de 9% ante 2026. O aumento da mistura tende a apertar o balanço doméstico de óleo de soja e reduzir o excedente disponível para exportação. Caso seja mantida a mistura de 15%, o B15, as vendas de biodiesel em 2027 devem alcançar 10,4 milhões de metros cúbicos, avanço de 1,2% sobre 2026. Com a adoção do B16, o volume de óleo de soja destinado à produção de biodiesel deve aumentar de 8,2 milhões para 8,9 milhões de toneladas. Do lado da oferta, a primeira projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica aumento de 3% no esmagamento de soja na próxima temporada. Mesmo com a expansão do processamento, sem alteração na mistura obrigatória, o setor de óleos vegetais deverá apresentar menor dinamismo da demanda em 2027 em comparação com 2026. A elevação para B16, por sua vez, amplia a demanda interna por óleo de soja e reduz a disponibilidade para outros destinos.
No mercado interno, os preços do óleo de soja registraram suporte na última semana de setembro. O movimento reduziu o desconto do diferencial de bases em relação à Bolsa de Chicago, que passou de US$ 0,20 por libra-peso em meados de junho para aproximadamente US$ 0,11 por libra-peso no fim de setembro. No Porto de Paranaguá (PR), a cotação de referência acumulou alta de quase 5% no último mês, em um cenário de desaceleração sazonal do esmagamento e menor disponibilidade de soja durante a entressafra. Para 2026, o processamento de soja no Brasil está projetado em 63,5 milhões de toneladas, aumento de 8% ante 2025. A produção de óleo de soja deve alcançar 12,8 milhões de toneladas, alta de 7% na mesma comparação. As margens de esmagamento, contudo, recuaram nos últimos meses e passaram a operar em território negativo em determinadas regiões desde agosto, levando indústrias a anteciparem paradas de manutenção programadas. A menor disponibilidade de óleo de soja ocorre em um período de maior consumo doméstico de diesel, entre agosto e outubro, o que amplia a demanda por biodiesel.
Para o quinto bimestre de 2026, o consumo é estimado em 1,9 milhão de metros cúbicos de biodiesel, volume 2% superior ao registrado no bimestre de julho e agosto. Nas exportações, o Brasil embarcou 1,5 milhão de toneladas de óleo de soja entre janeiro e agosto de 2026, aumento de 41% em relação ao mesmo período de 2025. O volume já supera o total exportado durante todo o ano passado, com a Índia mantendo-se como principal destino. Em julho, os embarques alcançaram 318 mil toneladas, ante 138 mil toneladas em igual mês de 2025. A recuperação dos preços do óleo de soja no mercado brasileiro reduz a competitividade do produto no exterior e tende a desacelerar os embarques nos próximos meses. A combinação entre maior consumo doméstico de biodiesel, menor disponibilidade sazonal de soja e redução da competitividade externa deve limitar o excedente exportável do derivado, especialmente caso a mistura B16 entre efetivamente em vigor em março de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.