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29/Sep/2026

Farelo de Soja: menor oferta nos EUA sustenta preço

O forte aperto na oferta de farelo de soja no oeste dos Estados Unidos deve continuar dando suporte aos preços no curto prazo, mas a Stag International não identifica uma escassez global capaz de sustentar o mercado na faixa de US$ 441,00 por tonelada. A recuperação gradual da colheita norte-americana e a retomada da competitividade de Brasil e Argentina tendem a limitar a valorização mais adiante. A alta recente do farelo e dos prêmios é atribuída principalmente a restrições de oferta, e não a uma aceleração da demanda. A disponibilidade limitada de soja e dificuldades no processamento reduziram a oferta imediata de farelo e elevaram os preços na última semana. Chuvas persistentes atrasaram a secagem e a colheita da soja, principalmente nos Estados produtores do oeste, deixando as esmagadoras com menor disponibilidade de matéria-prima e levando algumas unidades a reduzir a utilização da capacidade instalada.

O desequilíbrio regional chegou a provocar movimentos considerados incomuns no mercado, com soja sendo transportada de Illinois para Iowa para abastecer unidades de processamento. A qualidade da soja nova também acrescenta uma restrição operacional. Grãos com umidade elevada dificultam a retirada da casca e podem, inicialmente, reduzir o teor de proteína e elevar o de fibra do farelo. Diante desse cenário, as estimativas de esmagamento para setembro foram reduzidas, enquanto a utilização da capacidade das indústrias em outubro também pode ficar abaixo das projeções anteriores. As vendas semanais norte-americanas de soja para exportação permanecem relativamente fracas, reforçando a avaliação de que o aperto de oferta não foi provocado por aumento da demanda.

Os prêmios elevados também desestimulam novas compras enquanto a colheita não avança e as esmagadoras não voltam a receber volumes suficientes de soja para normalizar o processamento. A valorização do farelo aumenta ainda o risco de destruição de demanda. Margens mais estreitas na produção de suínos e aves podem estimular compradores de ração a buscar alternativas ao farelo de soja, entre elas grãos secos de destilaria, lisina e outros ingredientes. O aperto de oferta nos Estados Unidos, ao mesmo tempo, melhora a competitividade da América do Sul. Os prêmios brasileiros para novembro e dezembro caminham para a normalização, enquanto a Argentina permanece substancialmente mais competitiva que os Estados Unidos. A principal janela de restrição no Brasil continua concentrada em outubro, sem caracterizar uma falta generalizada de farelo.

Com a normalização das operações, o esmagamento norte-americano pode se aproximar de 76,2 milhões de toneladas. A ampliação da capacidade de processamento, contudo, exigiria uma demanda significativamente maior por farelo. As exportações norte-americanas do produto na temporada 2026/27 precisariam crescer pelo menos 1,2 milhão de toneladas ante o ano anterior e, potencialmente, próximo de 2 milhões de toneladas. Nesse contexto, a alta recente não é considerada suficiente para caracterizar uma trajetória sustentada. A oferta global permanece sem restrição generalizada, enquanto os prêmios brasileiros de novembro e dezembro retornam gradualmente à normalidade. Outubro continua sendo a principal janela de aperto no balanço norte-americano. A persistência das chuvas também surpreendeu o mercado. Os mapas de previsão para o período de 8 a 14 dias indicavam inicialmente um padrão mais seco, levando os agentes a subestimar a duração da umidade e seus efeitos sobre a colheita e a oferta imediata de soja.

A evolução dos preços dependerá, em grande medida, da mudança das condições climáticas. As chuvas ainda podem atrapalhar a colheita nas Grandes Planícies centrais e no noroeste do Meio Oeste, enquanto condições mais secas no centro e no sul da região produtora e no Delta tendem a favorecer a retirada da soja do campo e ampliar o fluxo de grãos para as esmagadoras. Com a recuperação do processamento, a disponibilidade de farelo no mercado físico norte-americano tende a aumentar. A pressão adicional pode vir dos fundos especulativos, que mantêm posições compradas em níveis historicamente elevados. Uma extensão relevante da alta dependeria de nova deterioração das condições de colheita ou de evidências de demanda mais forte. Sem esses fatores, o aumento da disponibilidade de soja nos Estados Unidos e a concorrência sul-americana tendem a pressionar os contratos futuros e os prêmios físicos mais adiante. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.