28/Sep/2026
Segundo a Standard Grain, o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, realizado em Washington, não trouxe anúncio concreto sobre comércio agrícola e frustrou parte das expectativas do mercado. Apesar disso, o ritmo recente de compras chinesas de soja dos Estados Unidos permanece compatível com o cumprimento da meta de 25 milhões de toneladas neste ano. A ausência de um acordo mais abrangente aumenta a possibilidade de o mercado reagir a anúncios pontuais e eventuais novos compromissos, em vez de a uma definição definitiva das negociações bilaterais. Havia expectativa de que a reunião apresentasse alguma sinalização sobre novas compras agrícolas pela China e avanços no compromisso chinês de adquirir US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas dos Estados Unidos fora da soja. Porém, ainda não foram divulgados detalhes sobre essas medidas. A ausência de anúncios teve impacto mais direto sobre o milho, que atingiu os menores níveis em três a quatro semanas.
Parte do mercado havia se posicionado na expectativa de que o cereal fosse incluído em um eventual pacote de compras chinesas. No caso da soja, o comportamento das compras é diferente. A China continuou adquirindo o produto norte-americano mesmo sem novo anúncio político. Considerando relatórios semanais e vendas diárias mais recentes, as compras oficialmente registradas alcançam 10,4 milhões de toneladas, equivalentes a 41,6% da meta anual de 25 milhões de toneladas. O volume efetivo pode estar próximo de 12 milhões de toneladas quando são considerados negócios inicialmente registrados para destinos não identificados, dos quais aproximadamente metade costuma ser direcionada ao mercado chinês. Os exportadores norte-americanos registraram ainda a venda de 109 mil toneladas de soja para a China na quinta-feira (24/09), para entrega no atual ano comercial. O ritmo de aquisições indica que a meta permanece alcançável, embora possa ser necessária uma aceleração das compras mais adiante.
O histórico recente também reforça essa possibilidade. Em compromissos anteriores, a China acelerou as aquisições e, após anunciar a intenção de comprar 12 milhões de toneladas, efetivamente realizou as compras e os embarques. A ausência de uma nova deterioração nas relações comerciais entre os dois países mantém aberta a possibilidade de repetição desse movimento. As exportações norte-americanas de soja acumuladas no atual ano comercial estão 94% acima do mesmo período de 2025, quando a China ainda não havia retomado as compras. Mais de 10 milhões de toneladas já constam oficialmente nos registros destinados ao país asiático. Na semana encerrada em 17 de setembro, contudo, as vendas líquidas totalizaram aproximadamente 572 mil toneladas, queda de 66% ante a semana anterior e abaixo das expectativas do mercado. A China foi a principal compradora no período.
A ausência de um anúncio mais abrangente após a reunião Trump-Xi também reforça a possibilidade de novas reações do mercado a comunicados específicos. Ainda podem ser divulgados documentos ou detalhes adicionais relacionados a compromissos comerciais. Eventuais referências a novas compras chinesas de milho poderiam produzir reação relevante nas cotações, diante das posições formadas pelo mercado em torno dessa possibilidade. No mercado físico norte-americano, a soja continua encontrando sustentação em um aperto temporário da oferta. Processadores de algumas áreas do Meio Oeste enfrentam dificuldades para originar grãos devido a atrasos na colheita. Em Minnesota, foi relatado prêmio de +US$ 0,50 por bushel sobre a referência, enquanto as margens de esmagamento na região estavam próximas de US$ 4,00 por bushel. Esse prêmio tende a diminuir à medida que a colheita avance.
Áreas de Iowa, norte de Illinois e sul de Wisconsin registraram excesso de chuvas em setembro, e novas precipitações ainda podem atrasar os trabalhos de campo em algumas regiões, mantendo temporariamente mais ajustadas as condições de oferta para os processadores. A Associação Americana da Soja (ASA) avaliou positivamente a prorrogação por dois meses da trégua comercial entre Estados Unidos e China, que passa a vigorar até 10 de janeiro de 2027. A extensão ocorreu após o encerramento da cúpula entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, sem o anúncio de novos acordos específicos para o setor agrícola. A ausência de medidas direcionadas ao agronegócio frustrou parte dos agentes do mercado e contribuiu para a liquidação de contratos futuros de grãos na Bolsa de Chicago. Para os produtores norte-americanos de soja, a manutenção da trégua preserva as condições para a continuidade das compras chinesas e reduz, no curto prazo, o risco de uma nova escalada tarifária. A ASA busca a retomada de uma frequência mais regular das aquisições de soja pela China e a consolidação de uma relação comercial de longo prazo com a China.
Antes da reunião entre Trump e Xi, o setor agrícola dos Estados Unidos vinha pressionando o governo norte-americano por garantias formais de compras chinesas de soja e pela retirada da tarifa retaliatória de 10% mantida pela China sobre produtos agropecuários dos Estados Unidos. A extensão da trégua não contempla, até o momento, novos compromissos específicos para o agronegócio, mantendo em aberto a definição sobre volumes de compras e condições tarifárias para os produtos agrícolas norte-americanos. O prolongamento do entendimento comercial, portanto, reduz a pressão imediata sobre o fluxo de comércio entre os dois países, mas não elimina as incertezas para a soja dos Estados Unidos. O mercado continua dependente da evolução das negociações e de eventuais anúncios posteriores que possam formalizar compromissos de compra e melhorar as condições de acesso dos produtos agrícolas norte-americanos ao mercado chinês. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.