28/Sep/2026
Segundo a StoneX, a eventual adoção da mistura B16 no diesel em 2027 elevaria a demanda doméstica por óleo de soja e reduziria o espaço para exportações brasileiras do produto. A elevação da mistura de biodiesel para 16% levaria as vendas do biocombustível a 11,2 milhões de metros cúbicos no próximo ano, alta de 9% ante 2026, enquanto o volume de óleo de soja destinado à produção de biodiesel avançaria de 8,2 milhões para 8,9 milhões de toneladas. A mistura obrigatória permanece em 15%, o B15, desde agosto de 2025. A Lei do Combustível do Futuro estabeleceu uma trajetória de aumento do teor de biodiesel no diesel, mas misturas superiores a 15% dependem de comprovação de viabilidade técnica e de decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O governo aprovou neste ano um plano de testes para avaliar teores acima desse nível. Diante da indefinição, a StoneX trabalha com dois cenários para 2027: manutenção do B15 durante todo o ano ou avanço para B16 a partir de março.
Caso o B15 seja mantido, a consultoria estima crescimento de apenas 1,2% nas vendas de biodiesel. Com a adoção do B16 em março, as vendas alcançariam 11,2 milhões de metros cúbicos e o consumo de óleo de soja destinado ao biodiesel passaria de 8,2 milhões para 8,9 milhões de toneladas. A maior absorção de óleo pelo mercado doméstico ocorreria em um ano de crescimento mais moderado da oferta. As primeiras projeções da StoneX para a próxima temporada indicam aumento próximo de 3% no esmagamento de soja, abaixo do crescimento potencial da demanda por biodiesel no cenário com B16. A elevação da mistura, portanto, tende a pressionar o balanço interno de óleo de soja e reduzir as exportações brasileiras, dificultando a repetição do desempenho observado em 2026. Entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras de óleo de soja somaram cerca de 1,57 milhão de toneladas, alta de 41% ante igual período de 2025 e volume já superior ao embarcado em todo o ano passado.
Apenas em julho, os embarques alcançaram 318 mil toneladas, ante 138 mil toneladas em igual mês de 2025. A Índia permaneceu como principal destino do produto brasileiro. O mercado doméstico também ficou mais ajustado no fim de 2026. A diferença entre os preços brasileiros e a referência de Chicago diminuiu nos últimos meses. Em meados de junho, o óleo de soja no Brasil chegou a operar com desconto de cerca de US$ 0,20 por libra-peso, enquanto no fim de setembro o diferencial estava próximo de US$ 0,11 por libra-peso. Apesar de ainda permanecer acima dos padrões observados nos anos anteriores, a redução do desconto ocorreu principalmente pela recuperação dos preços domésticos. A referência do Porto de Paranaguá (PR) subiu quase 5% no último mês, enquanto a Bolsa de Chicago oscilou em baixa. O movimento está associado à sazonalidade brasileira, com o pico do esmagamento já superado e menor disponibilidade de soja durante a entressafra.
A StoneX projeta esmagamento de 63,5 milhões de toneladas de soja em 2026, alta de 8,2% ante 2025, e crescimento de 7,3% na produção de óleo. As margens das indústrias, porém, pioraram ao longo do segundo semestre. Desde agosto, algumas regiões já operavam com margens negativas, levando determinadas esmagadoras a antecipar paradas programadas para manutenção. A menor disponibilidade sazonal de soja, combinada com a demanda por biodiesel, tende a manter o balanço doméstico de óleo mais apertado nos próximos meses. Com o início do plantio da nova safra, a perspectiva é de maior sustentação dos preços internos do óleo de soja, mas com redução da competitividade do produto brasileiro no mercado externo, especialmente caso o B16 seja adotado a partir de março de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.