25/Sep/2026
Segundo o BTG Pactual, a indústria brasileira de processamento de soja amplia a capacidade instalada, mas enfrenta maior exposição a fatores externos para sustentar as margens. Variáveis como preços do óleo de soja, demanda por proteína animal e, principalmente, a política de biodiesel têm influência crescente sobre a rentabilidade das esmagadoras. O movimento ocorre em paralelo ao avanço dos investimentos e do processamento nacional. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) mostram crescimento de 8,3% no processamento acumulado no ano. O Brasil processa atualmente cerca de um terço da produção nacional de soja, estimada em aproximadamente 180 milhões de toneladas em 2026, em 127 plantas ativas. A capacidade instalada de esmagamento aumentou 17% em três anos, de 65,5 milhões para 82,6 milhões de toneladas por ano, com 44% concentrada no Centro-Oeste e 23% em Mato Grosso. Os investimentos previstos somam R$ 5,9 bilhões em 2026, com potencial de acrescentar aproximadamente 18,9 mil toneladas por dia à capacidade de processamento.
A Abiove mantém a estimativa de produção nacional de soja em 180,4 milhões de toneladas e revisou para 63,5 milhões de toneladas o volume destinado ao esmagamento, alta de 0,3% ante a projeção anterior. As exportações de soja em grão foram ajustadas para 115 milhões de toneladas, queda de 0,3%. Em julho, o processamento alcançou 5,13 milhões de toneladas, avanço de 1,9% ante junho e de 7,4% em relação a julho de 2025. No acumulado até julho, foram processadas 33,6 milhões de toneladas, aumento de 8,3% na comparação anual. Para os derivados, a Abiove projeta produção de 48,9 milhões de toneladas de farelo, alta de 0,4%, com exportações de 25,3 milhões de toneladas. A produção de óleo de soja está estimada em 12,8 milhões de toneladas, também 0,4% acima da projeção anterior, enquanto os embarques foram revisados para 1,8 milhão de toneladas, crescimento de 5,9%. A estrutura econômica do esmagamento limita a capacidade das empresas de controlar suas margens. A indústria compra soja e comercializa principalmente farelo e óleo, com proporções relativamente estáveis: entre 75% e 78% do grão resulta em farelo e de 19% a 20% em óleo.
Para o detentor da soja, a venda para a indústria de esmagamento concorre diretamente com a exportação do grão, mantendo o preço doméstico da matéria-prima alinhado à paridade internacional. A margem das esmagadoras é determinada pela relação entre os preços da soja, do farelo e do óleo. O farelo representa o maior volume físico e o Brasil é o segundo maior exportador mundial, mas o produto, isoladamente, muitas vezes não cobre o custo da soja. O óleo, apesar do menor volume, possui maior relevância para a formação da margem. Cerca de 86% da produção é consumida no mercado interno e os preços domésticos apresentam forte correlação com as cotações de Chicago, de 93%. Nesse mercado, o biodiesel representa uma das principais variáveis sobre as quais as esmagadoras têm menor controle. A demanda é determinada por política pública e o mandato de mistura passou de B2, em 2008, para B15, em agosto de 2025, com trajetória prevista para B20 até 2030 pela Lei do Combustível do Futuro. A produção brasileira de biodiesel cresceu cerca de 10% ao ano entre 2015 e 2025 e alcançou 9,8 bilhões de litros no ano passado.
No mesmo período, a capacidade instalada aumentou 81% desde 2018, para 15,9 bilhões de litros. Com isso, a ociosidade chegou a aproximadamente 5,5 bilhões de litros, enquanto a utilização da capacidade ficou em cerca de 66% em julho de 2026. A expansão da capacidade de produção de biodiesel ocorreu em ritmo superior ao crescimento efetivo da demanda. Além disso, a elevação da mistura para B16, prevista para março de 2026, foi adiada e ainda não entrou em vigor, retardando a expansão esperada do consumo de biodiesel. Para as empresas de esmagamento integradas à produção de biodiesel, a agregação de valor depende da comparação entre a rentabilidade da transformação do óleo em biocombustível e a comercialização direta do óleo. Essa diferença constitui um segundo spread, sujeito a oscilações de mercado e a decisões regulatórias, ampliando a exposição da indústria a fatores que não estão diretamente sob seu controle. Fonte: AgFeed. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.