25/Sep/2026
Segundo a Embrapa Territorial, a concentração das exportações brasileiras de soja na China limita a possibilidade de diversificação de destinos e reforça a necessidade de ampliar o processamento do grão no Brasil. A elevada participação chinesa nas compras externas aumenta a exposição do setor a um único mercado e reforça a importância de ampliar a industrialização da oleaginosa e o consumo doméstico de seus derivados. Dados mostram que cerca de 80% da soja exportada pelo Brasil tem a China como destino. Há pouco mais de 20 anos, a China respondia por cerca de 7% das vendas externas do agronegócio brasileiro, enquanto atualmente sua participação supera 33%. No mesmo período, a fatia da Europa recuou para menos de 14%. A mudança elevou a concentração dos mercados externos do agronegócio brasileiro. China, Europa e Estados Unidos respondem atualmente por cerca de 60% do comércio externo do setor.
Na soja, entretanto, a escala das compras chinesas torna mais difícil compensar uma eventual redução da demanda desse mercado por meio da abertura ou ampliação de outros destinos. Nesse cenário, a absorção de uma parcela maior da produção no mercado interno aparece como alternativa para reduzir a exposição externa e agregar valor à oleaginosa. Entre as possibilidades estão a ampliação do esmagamento de soja, o aumento da mistura de biodiesel ao diesel e o aproveitamento de coprodutos do processamento. A estratégia amplia a geração de valor agregado no Brasil, além de favorecer a geração de renda e divisas no interior do País. A escala da produção brasileira de alimentos, fibras e energia contrasta com o espaço ainda disponível para ampliar a industrialização dessas matérias-primas.
O processamento doméstico permite transformar parte da produção agrícola em insumos para diferentes cadeias, ampliando a integração entre agricultura, indústria e produção de proteínas animais. O avanço do etanol de milho e do DDG, coproduto utilizado na alimentação animal, é um exemplo desse processo. A maior disponibilidade desses insumos já começa a alterar a distribuição regional da produção de suínos e aves e da terminação de bovinos no Brasil, aproximando a produção pecuária das regiões com maior oferta de matérias-primas para alimentação animal. A mudança na geografia da produção também amplia a necessidade de investimentos em frigoríficos, estruturas de distribuição e cadeia de frio nas regiões produtoras. O desenvolvimento dessas estruturas é necessário para acompanhar a expansão da oferta de coprodutos e a transferência de atividades pecuárias para áreas com maior disponibilidade de insumos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.