25/Sep/2026
Segundo a Pátria Agronegócios, a redução dos estoques mundiais de soja pode sustentar uma recuperação mais forte dos preços na safra 2026/27, após anos de pressão sobre as cotações. Os estoques globais aumentaram entre 2021 e 2024/25, mas passaram a recuar nos dois ciclos seguintes, configurando o segundo ano consecutivo de redução das sobras e menor disponibilidade relativa no balanço mundial. A mudança no quadro de oferta e demanda já aparece nas cotações brasileiras. A soja no Porto de Paranaguá (PR) está cotada em torno de R$ 162,00 por saca de 60 Kg, ante níveis próximos de R$ 130,00 por saca de 60 Kg no início de 2026 e de aproximadamente R$ 115,00 por saca de 60 Kg no começo de 2024. Apesar da recuperação, o valor ainda está abaixo do pico de R$ 207,00 por saca de 60 Kg observado em 2022.
Nos Estados Unidos, a oferta não deve recompor uma folga expressiva no balanço global. Há sinais de seca em 27% das áreas de soja. As avaliações de campo não apontaram quebra generalizada, mas indicaram perda de potencial produtivo em partes do cinturão agrícola, reduzindo a possibilidade de repetição de uma safra extraordinária. Ao mesmo tempo, uma parcela crescente da soja norte-americana é absorvida pelo mercado doméstico. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta para a safra 2026/27 esmagamento de 2,78 bilhões de bushels, acima dos 1,69 bilhão de bushels previstos para exportação. O órgão também estima estoques finais dos Estados Unidos em 310 milhões de bushels, 10 milhões de bushels abaixo da projeção anterior. Esse perfil de demanda representa uma diferença relevante em relação ao Brasil.
Os Estados Unidos já destinam internamente mais soja ao processamento do que ao mercado externo em grão, enquanto o Brasil ainda direciona parcela maior da produção para exportação in natura. A ampliação do processamento doméstico aparece, nesse contexto, como uma possibilidade de mudança estrutural para o mercado brasileiro, com maior agregação de valor e absorção interna da produção. Na demanda externa, a China permanece como principal variável para o balanço mundial. A China compra mais de 100 milhões de toneladas de soja por ano, volume que não seria facilmente substituído pelos demais importadores. A concentração da demanda chinesa mantém o país como elemento central para a formação das cotações internacionais, já que a ausência desse comprador não seria compensada pelos demais mercados.
As compras chinesas de soja dos Estados Unidos também ganharam ritmo em setembro. O USDA registrou novos negócios para a safra 2026/27, incluindo vendas de 272 mil toneladas anunciadas em 10 de setembro e de 111 mil toneladas em 18 de setembro, reforçando a presença da China no mercado norte-americano. Para a safra 2026/27, a perspectiva de preços mais firmes está associada à combinação de estoques globais menores, oferta norte-americana abaixo do potencial máximo, maior absorção doméstica nos Estados Unidos e manutenção da demanda chinesa. Esse conjunto aumenta a importância da produção da América do Sul para a recomposição do balanço global e para a direção das cotações ao longo do novo ciclo. Nesse cenário, a trajetória dos preços dependerá tanto do comportamento da demanda mundial quanto da evolução da oferta sul-americana, especialmente diante da necessidade de formação de uma nova safra em um ambiente de estoques globais mais ajustados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.