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25/Sep/2026

Risco climático eleva cautela na safra 2026/2027

A safra brasileira de soja 2026/27 apresenta elevado risco climático diante da possibilidade de distribuição irregular das chuvas entre as principais regiões produtoras. Modelos acompanhados pela Pátria Agronegócios indicam possibilidade de excesso de umidade nas Regiões Sul e Sudeste e de precipitações abaixo da média em partes do Centro-Norte durante fases relevantes do desenvolvimento das lavouras. As previsões mais recentes ainda indicam aquecimento das águas do Pacífico na região Niño 3.4, utilizada como referência para o acompanhamento do El Niño. Embora o cenário tenha apresentado alguma amenização, o risco climático permanece. A possibilidade de um evento de maior intensidade continua sendo considerada, com potencial de afetar a distribuição das precipitações no Brasil.

Para outubro, os modelos norte-americano e europeu convergem para chuvas acima da média, principalmente em São Paulo e no Paraná. A partir de novembro, entretanto, as projeções ficam mais divergentes regionalmente. Os dois modelos indicam precipitações abaixo da média em partes do Pará e do norte da Bahia. Na Região Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, os cenários não apresentam a mesma convergência. O modelo europeu sinaliza condições mais secas no Estado, enquanto o modelo norte-americano não apresenta intensidade semelhante para esse sinal. A divergência reduz a confiabilidade das projeções para a região. A incerteza sobre o comportamento das chuvas no Centro-Oeste ganha relevância porque a região concentra cerca de metade da área de soja semeada no Brasil.

Novembro é considerado um período importante para sustentar o desenvolvimento vegetativo das lavouras, de modo que a confirmação de um cenário mais seco em Mato Grosso aumentaria o risco sobre o potencial produtivo. O período de maior sensibilidade climática começa em dezembro. Grande parte da soja brasileira deverá estar próxima do florescimento no fim do ano e avançará para a fase reprodutiva em janeiro, período em que ocorre a formação de vagens e o enchimento de grãos. Eventual deficiência hídrica generalizada no Centro-Norte durante essa fase representaria uma ameaça relevante à produtividade nacional. Na Região Sul, o risco climático pode ocorrer em sentido contrário. O excesso de chuvas pode dificultar a entrada de máquinas nas lavouras, reduzir a incidência de radiação solar sobre as plantas e limitar o potencial produtivo.

Dessa forma, o cenário para 2026/27 envolve tanto o risco de deficiência hídrica no Centro-Norte quanto o de excesso de umidade nas regiões produtoras do Sul. A comparação com safras anteriores também apresenta limitações. A situação atmosférica considerada mais semelhante pela Pátria ocorreu em 1982/83, quando a produção de soja brasileira ainda estava concentrada no Centro-Sul. Atualmente, a cultura apresenta forte presença no Cerrado, no Norte e no Nordeste, reduzindo a capacidade de utilizar aquele período como referência histórica para o padrão climático atual. A definição das áreas que poderão ser mais afetadas ainda depende das próximas atualizações dos modelos meteorológicos. O acompanhamento das projeções será especialmente relevante entre dezembro e janeiro, quando as lavouras avançam para fases reprodutivas determinantes para a formação do potencial produtivo da safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.