25/Sep/2026
Segundo estimativa da Pátria Agronegócios, a área plantada com soja no Brasil deve crescer apenas 0,77% na safra 2026/27, para 49,01 milhões de hectares. O avanço representa a menor expansão em 20 anos, superando apenas os recuos registrados nas safras 2005/06 e 2006/07, de 2,4% e 9,1%, respectivamente. Na temporada 2025/26, a oleaginosa ocupou 48,64 milhões de hectares. A projeção para o novo ciclo considera informações sobre entrega de insumos e pesquisa realizada com mais de 2 mil clientes da consultoria em todo o País. A desaceleração da expansão da área está relacionada principalmente à perda de rentabilidade da atividade. A Pátria estima lucratividade de 15,2% para a soja em 2026/27, ante 15,8% em 2025/26. Em 2021/22, o indicador alcançava 56,4%. A redução das margens limita a disposição dos produtores para ampliar a área cultivada e realizar novos investimentos.
O custo e a disponibilidade de crédito também são fatores de restrição. O custo final do financiamento ao produtor rural chega, em média, a 24%, segundo a consultoria. Embora haja indicação de recursos disponíveis, o acesso aos limites de crédito permanece restrito, reduzindo a capacidade de expansão da área e de investimento na atividade em um ambiente de juros elevados. O cenário climático adiciona outro fator de cautela. A possibilidade de ocorrência de um El Niño forte durante o ciclo 2026/27 é considerada na decisão dos produtores sobre a ampliação da área, diante do risco de impactos sobre as condições de desenvolvimento das lavouras. Para a produtividade, a projeção inicial é de 3,545 toneladas por hectare em 2026/27, ante 3,667 toneladas por hectare estimadas para a safra anterior, queda de 3,3%. O cálculo considera a evolução dos últimos 10 anos no Centro-Sul e dos últimos cinco anos no Centro-Norte e ainda não incorpora eventuais efeitos do El Niño sobre as lavouras.
Com base nessas premissas, a produção brasileira de soja é projetada em 173,75 milhões de toneladas em 2026/27, recuo de 3,3% ante os 179,66 milhões de toneladas estimados para 2025/26. Mato Grosso deve responder por 29,3% da produção nacional, seguido por Goiás, com 11,9%; Paraná, com 11,4%; Mato Grosso do Sul, com 8,9%; e Rio Grande do Sul, com 8,3%. A estimativa de produtividade divulgada neste momento ainda tem caráter estatístico e não representa uma avaliação agronômica das condições efetivas da nova safra. A primeira projeção baseada no desenvolvimento das lavouras deve ser divulgada no fim de novembro, quando haverá um número suficiente de áreas em campo para utilizar imagens de satélite na avaliação da condição vegetativa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.