25/Sep/2026
Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), a falta de capacidade de armazenagem obriga produtores brasileiros de soja a comercializar a produção logo após a colheita, enquanto a maior participação do produtor na agroindústria é apontada como necessária para ampliar a agregação de valor no setor. Cerca de 90% da safra brasileira é transportada por caminhões. A Faesp defende a ampliação da industrialização da soja no Brasil. Atualmente, aproximadamente um terço da produção nacional é processado internamente. Na avaliação da entidade, o processamento doméstico permite agregar valor em proporção cerca de quatro vezes superior à obtida com a exportação do grão in natura, reforçando a necessidade de ampliar a transformação da matéria-prima dentro do País. A participação do produtor nessa etapa da cadeia também é considerada necessária para que a agregação de valor seja distribuída ao longo do processo produtivo.
A avaliação da Faesp é de que a agroindústria pode ampliar as oportunidades econômicas, mas o produtor precisa estar integrado às etapas posteriores da cadeia, evitando a concentração dos ganhos de industrialização fora da atividade rural. A preocupação é estendida a setores como pecuária de corte, cana-de-açúcar e citricultura. Como instrumento para aproximar produtores da industrialização, a Faesp cita o projeto Integrar, que já teria visitado 150 mil propriedades rurais paulistas para identificar necessidades relacionadas à regularização ambiental, conectividade e vocação produtiva de cada unidade. A proposta é reunir produtores de atividades semelhantes em arranjos produtivos locais, criando escala e condições para o desenvolvimento de estruturas de transformação. Os grupos formados pelo projeto recebem assistência técnica e gerencial gratuita durante dois anos e, posteriormente, podem estruturar pequenas agroindústrias.
O modelo busca combinar concentração regional da produção, orientação técnica e gerencial e aumento da produtividade, criando condições para que os produtores avancem para etapas de maior valor agregado. A discussão ocorre após uma safra recorde de soja no Brasil. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção de 2025/26 em 180,4 milhões de toneladas, alta de 5,2% ante o ciclo anterior. Em São Paulo, levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) indica produção de 4,12 milhões de toneladas em 2025/26, praticamente estável ante a temporada anterior. A regional de Ourinhos, onde está localizada Santa Cruz do Rio Pardo, respondeu por 10,5% da produção do Estado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.