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25/Sep/2026

Setor enfrenta endividamento e insegurança jurídica

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) atribuiu ao governo federal parte das dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais com o endividamento e cobrou maior segurança jurídica para o agronegócio, especialmente em relação à Moratória da Soja. As declarações ocorreram durante a Abertura Nacional do Plantio da Soja, em Santa Cruz do Rio Pardo (SP). Inflação e juros elevados aumentam a dificuldade de financiamento da atividade agropecuária e pressionam a capacidade de investimento dos produtores. A liberação de recursos do Plano Safra também foi criticada. O ambiente de margens mais apertadas exige maior cautela na aplicação de capital.

Os investimentos atualmente tendem a ser direcionados para horizontes mais curtos, com prioridade para um custeio bem estruturado e para a capacidade de pagamento dos recursos contratados. Produtores também vêm antecipando a comercialização de parte da safra como estratégia de proteção diante dos custos com fertilizantes. As mudanças e decisões recentes relacionadas à Moratória da Soja e a sucessão de resoluções e decisões em menos de um ano são fatores de insegurança jurídica. A Moratória da Soja foi criada em 2006 como um compromisso voluntário pelo qual tradings deixavam de comprar soja produzida em áreas do bioma Amazônia desmatadas após julho de 2008.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e grandes empresas do setor deixaram o acordo no início de 2026. Em agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a compatibilidade da moratória com a Constituição e determinou a extinção de processos judiciais e administrativos, inclusive no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), baseados na suposta ilegalidade ou responsabilidade concorrencial decorrente do acordo. Também foi manifestada preocupação com a transição da reforma tributária e com a definição das alíquotas do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

O cronograma oficial prevê novas etapas da reforma em 2027, com mudanças na cobrança dos dois tributos. Na política de biocombustíveis, a Faep defendeu a aceleração da elevação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, atualmente em 15%, o B15. Na avaliação da entidade, seria possível avançar para o B30, diante da estrutura produtiva existente. Uma mistura mais elevada contribuiria para ampliar o processamento doméstico de soja, com efeitos sobre a demanda por óleo e farelo. A Faesp também rejeita uma associação direta entre a produção de soja e o desmatamento e defende que a expansão da oleaginosa seja analisada em conjunto com as regras ambientais e de produção vigentes.

A entidade considera que o setor necessita de maior previsibilidade regulatória para sustentar investimentos de longo prazo. Apesar das críticas ao ambiente econômico e regulatório, o cenário não é negativo para o início da safra 2026/27. A redução dos estoques e a valorização dos prêmios são apontadas como fatores que podem criar oportunidades de comercialização para os produtores. O agronegócio precisa de um horizonte de planejamento de 20 a 30 anos, com continuidade das políticas e respeito ao processo produtivo independentemente das mudanças de governo, de forma a permitir a realização dos investimentos necessários no setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.