ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

25/Sep/2026

China mantém compromisso de compra com EUA

Segundo a Standard Grain, a extensão da trégua comercial entre Estados Unidos e China por dois meses, até 10 de janeiro, reforça a expectativa de cumprimento do compromisso chinês de comprar 25 milhões de toneladas de soja norte-americana em 2026. A prorrogação, anunciada em 23 de setembro pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, amplia o prazo para que os dois países avancem nas negociações, enquanto a China mantém ritmo de compras considerado compatível com a meta para a oleaginosa, embora permaneça atrasada em outros produtos agrícolas previstos no acordo bilateral. A trégua venceria em 10 de novembro. A nova extensão foi definida após uma reunião não programada entre Bessent e o vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng, em Washington. Os dois já haviam realizado mais de 10 horas de negociações em Nova York. A nova rodada teve como objetivo discutir a possibilidade de um acordo econômico mais abrangente, em vez da continuidade de entendimentos pontuais.

A extensão até janeiro também mantém em aberto a possibilidade de novo adiamento caso os dois países não concluam um acordo mais amplo. As declarações do governo norte-americano aumentaram a confiança no cumprimento da meta de soja. Estimativas indicam que a China já teria adquirido cerca de 12 milhões de toneladas, quase metade do compromisso anual de 25 milhões de toneladas. O acordo prevê compras mínimas de 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos por ano em 2026, 2027 e 2028. O compromisso ganhou importância para o balanço norte-americano diante da aceleração das compras chinesas nas últimas semanas. A movimentação contribuiu para que os contratos futuros de soja alcançassem os maiores níveis em quase 3 anos, em meio à expectativa de continuidade das aquisições e de cumprimento do acordo. O ponto de maior incerteza está nos demais produtos agrícolas. A China também se comprometeu a comprar US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas norte-americanos além da soja, mas as aquisições permanecem abaixo do ritmo necessário para atingir esse objetivo.

O governo dos Estados Unidos vem cobrando maior avanço nesse componente do acordo, que pode ser discutido em reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, juntamente com temas relacionados a serviços financeiros e eventual redução de tarifas sobre determinados produtos. O milho aparece como uma das possibilidades para preencher parte dessa diferença. Mas, seria difícil atingir a meta de US$ 17 bilhões em compras adicionais sem a participação do cereal. Até o momento, porém, não houve anúncio de compra chinesa de milho pelos Estados Unidos, e a possibilidade permanece como cenário a ser acompanhado nas negociações. Além da demanda chinesa, o mercado físico norte-americano apresenta aperto de oferta em algumas regiões. As esmagadoras, principalmente no oeste do cinturão produtor, enfrentam dificuldades para originar grãos em razão dos atrasos na colheita. Em Iowa, foram observadas ofertas com basis, diferença entre o preço físico e a referência futura, entre US$ 1,00 e US$ 1,10 por bushel acima do contrato para entrega até 1º de outubro.

A forte demanda das esmagadoras, associada às margens favoráveis, mantém a necessidade de matéria-prima elevada. Os prêmios, contudo, podem recuar rapidamente quando a colheita avançar e volumes maiores chegarem às unidades de processamento. As condições climáticas também podem prolongar o aperto de curto prazo. A previsão indica chuvas relevantes nos próximos 7 dias em Iowa, sul de Minnesota, Illinois, Nebraska e leste das Dakotas, com possibilidade de novos atrasos nas operações de campo. A valorização do dólar constitui fator de contraponto, ao reduzir a competitividade das exportações norte-americanas. Apesar disso, a demanda permanece elevada e os estoques seguem apertados. Nesse contexto, o espaço para os Estados Unidos exportarem volumes muito superiores aos 25 milhões de toneladas destinados à China dependerá também de eventual melhora da produtividade da safra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.