25/Sep/2026
A Aprosoja Brasil defende que a elevação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel para 17% poderia ampliar o esmagamento de soja no Brasil, reduzir a disponibilidade interna da oleaginosa e contribuir para a sustentação dos preços recebidos pelo produtor. A entidade defende que o País avance para o B17 no curto prazo e tenha como trajetória a elevação gradual da mistura para 30% nos próximos dez anos. A mistura obrigatória está atualmente em 15% (B15), percentual vigente desde agosto de 2025. A Lei do Combustível do Futuro ampliou o espaço legal para teores maiores de biodiesel, mas aumentos acima de 15% dependem de avaliação de viabilidade técnica e de decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A legislação permite que a mistura obrigatória alcance até 25%.
A ampliação do percentual de biodiesel tende a elevar a demanda doméstica por soja, uma vez que maior volume da oleaginosa precisaria ser processado para a produção de óleo destinado ao biocombustível. Com maior esmagamento no mercado interno, a disponibilidade de soja em grão para exportação seria reduzida, com potencial de alteração dos prêmios e dos preços domésticos. O mecanismo defendido pela Aprosoja Brasil é baseado na criação de uma demanda estrutural adicional pela produção agrícola por meio da política de biocombustíveis. O movimento seria particularmente relevante em um cenário de margens mais estreitas para os produtores. A expansão do etanol de milho é utilizada como referência de política de geração de demanda interna, com a instalação e ampliação de unidades de produção criando um mercado adicional para o cereal.
Na cadeia da soja, o biodiesel poderia desempenhar função semelhante ao ampliar o processamento doméstico e a demanda por matéria-prima. A discussão também está relacionada ao cenário internacional de energia. Uma participação maior do biodiesel na matriz de combustíveis poderia reduzir a exposição do Brasil a oscilações nos preços do diesel importado em períodos de tensão geopolítica e de valorização do petróleo. O aumento da participação do biocombustível produzido internamente contribuiria para reduzir a necessidade de complementação da oferta nacional com produto importado. O Brasil utiliza diesel importado para complementar a oferta doméstica, em volumes que variam conforme a demanda, a produção das refinarias e os fluxos de comércio.
Nesse contexto, a substituição de parcela maior do combustível fóssil por biodiesel nacional é apontada como mecanismo de redução da exposição ao mercado externo. A comparação apresentada pela Aprosoja Brasil sobre custos de distribuição do biodiesel em relação ao diesel importado não foi acompanhada de dados durante a apresentação e, portanto, não é considerada como referência factual. Misturas superiores ao B15 já são utilizadas de forma específica em determinadas operações no País. Registros da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) incluem comunicações para uso de B16 em frotas ferroviárias, B30 e B50 em caminhões e B100 em determinadas frotas cativas. Essas aplicações específicas, contudo, não significam que percentuais semelhantes estejam autorizados como mistura obrigatória nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.