22/Sep/2026
O senado da Argentina aprovou uma proposta de novo marco regulatório para os biocombustíveis que prevê elevar de 7,5% para 10% a mistura obrigatória de biodiesel no diesel. A medida ainda precisa ser analisada pela Câmara dos Deputados e, portanto, não está em vigor. Pela proposta, o B10 entraria em vigor 12 meses após eventual sanção da nova lei. A legislação vigente mantém o corte obrigatório em 7,5%. O projeto recebeu 41 votos favoráveis e 25 contrários no Senado e prevê mudanças nas regras de comercialização e formação de preços dos biocombustíveis. Para o bioetanol, a mistura obrigatória na gasolina passaria de 12% para 15%. No biodiesel, o aumento do corte tem impacto direto sobre o mercado de óleo de soja, principal matéria-prima utilizada pela indústria argentina de biodiesel.
A Argentina está entre os principais processadores e exportadores mundiais de derivados de soja. A elevação da mistura obrigatória de 7,5% para 10% aumentaria o consumo doméstico de óleo de soja e poderia alterar o ritmo de esmagamento da oleaginosa e a disponibilidade de farelo para o mercado interno e externo. Considerando o consumo argentino de diesel próximo dos níveis atuais, cálculos da Royal Rural indicam que a adoção do B10 poderia gerar demanda adicional de aproximadamente 285 mil toneladas de óleo de soja por ano. Caso todo esse volume adicional fosse produzido a partir de novo processamento, seriam necessárias cerca de 1,5 milhão de toneladas adicionais de soja para esmagamento, com potencial de geração de aproximadamente 1,15 milhão de toneladas extras de farelo de soja.
Esse cenário representa um limite máximo de necessidade adicional de esmagamento e não uma projeção de aumento efetivo do processamento argentino. O novo marco regulatório abre espaço para maior participação das grandes processadoras integradas no abastecimento do mercado doméstico. Atualmente, o biodiesel destinado à mistura obrigatória é fornecido por empresas não integradas, enquanto grandes companhias vinculadas à indústria de esmagamento concentram sua produção de biodiesel no mercado de exportação. Com a eventual mudança, parte da demanda adicional por óleo poderá ser atendida por produto já produzido pelas indústrias e atualmente destinado a outros mercados, inclusive à exportação.
Quanto maior for o redirecionamento do óleo já disponível para a produção doméstica de biodiesel, menor será a necessidade de elevar o esmagamento de soja e, consequentemente, menor será o volume adicional de farelo disponibilizado no mercado internacional. A mudança, portanto, introduz uma variável relevante para o complexo soja global. O aumento estrutural da demanda doméstica argentina por óleo pode alterar a relação entre óleo e farelo no processamento da oleaginosa e reduzir a disponibilidade potencial dos derivados para exportação, dependendo da parcela da nova demanda atendida por produto já produzido ou por aumento do esmagamento. A Argentina possui capacidade industrial para responder a uma eventual ampliação da demanda por biodiesel. Dados da Bolsa de Comércio de Rosário indicavam capacidade de produção próxima de 3,9 milhões de toneladas anuais, com elevado nível de ociosidade industrial.
Além do aumento dos percentuais de mistura, o novo marco prevê uma transição gradual do mercado de biodiesel até 2036, com ampliação progressiva do espaço de negociação e da participação das empresas integradas. A proposta também contempla a criação de um mercado eletrônico de comercialização e mudanças na formação dos preços. A próxima etapa será a análise pela Câmara dos Deputados. Como a aprovação ocorreu apenas no Senado, o novo regime ainda precisa avançar na tramitação legislativa antes de eventual transformação em lei. Para o mercado de soja, a proposta coloca no radar uma possível elevação da demanda doméstica argentina por óleo, enquanto o impacto sobre o esmagamento e a oferta de farelo dependerá da parcela da demanda adicional que será atendida por novo processamento ou pelo redirecionamento de óleo atualmente destinado a outros mercados. Fonte: Notícias Agrícolas. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.