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22/Sep/2026

Farelo de Soja: aperto nos EUA sustenta cotações

O aperto na oferta de farelo de soja nos Estados Unidos deve continuar sustentando os preços no curto prazo, mas a Stag International considera o movimento temporário e projeta normalização à medida que a colheita norte-americana avance e o Brasil recupere competitividade nas exportações a partir de novembro. A avaliação consta de relatório divulgado nesta segunda-feira. Para a corretora, a força atual está concentrada nos vencimentos mais próximos e não caracteriza escassez estrutural do produto. Os preços do farelo subiram na semana passada em meio à transição entre as safras velha e nova nos Estados Unidos, que reduziu temporariamente a disponibilidade de soja para processamento. As chuvas atrasaram a colheita no oeste do Meio Oeste, principalmente em Iowa, enquanto os baixos estoques de passagem reduziram a disponibilidade de matéria-prima para algumas esmagadoras e levaram unidades a diminuir o ritmo de produção.

A redução do esmagamento provocou aperto imediato na oferta de farelo no mercado físico. Algumas indústrias chegaram a ficar sem produto disponível, enquanto os prêmios no Missouri alcançaram cerca de US$ 1,00 por tonelada curta. A elevada umidade da soja recém-colhida também pode prolongar as dificuldades de processamento. Paralelamente, embarques inicialmente previstos para setembro estão sendo transferidos para outubro, aumentando a pressão sobre unidades que já possuem compromissos comerciais. O aperto pode persistir nas próximas semanas. O plantio mais tardio em importantes Estados produtores pode retardar a chegada da soja nova às esmagadoras, em um cenário de demanda superior à registrada há um ano e estoques iniciais relativamente baixos. A previsão para os próximos sete dias também indica chuvas em Iowa e nas Grandes Planícies, com possibilidade de solos encharcados e avanço mais lento da colheita.

A estrutura dos contratos futuros reforça a concentração do problema no curto prazo. O fortalecimento do diferencial entre os vencimentos outubro e dezembro indica maior restrição na disponibilidade imediata, sem movimento equivalente de escassez nos contratos mais distantes. Para os meses seguintes, a expectativa é de melhora gradual do balanço, com o Brasil assumindo maior importância na recomposição da oferta. Os prêmios FOB brasileiros para novembro começaram a recuar, enquanto a diferença em relação a outubro continua indicando maior aperto apenas na janela mais próxima. A recuperação da competitividade do farelo brasileiro frente ao produto norte-americano para novembro e dezembro pode permitir que o Brasil volte a capturar parcela maior da demanda mundial à medida que o mercado supere o aperto esperado para outubro. Esse movimento tende a ganhar importância para a formação dos preços internacionais nos vencimentos posteriores.

As vendas semanais de exportação de farelo dos Estados Unidos ainda não mostram transferência relevante da demanda global para o produto norte-americano. Os compradores permanecem cautelosos e aguardam maior clareza sobre o comportamento dos contratos futuros e dos preços físicos antes de ampliar a cobertura. Nesse cenário, as dificuldades das esmagadoras norte-americanas para garantir soja suficiente devem continuar oferecendo suporte aos contratos mais próximos. Para os meses seguintes, porém, a melhora das condições de colheita, a recuperação do esmagamento nos Estados Unidos e o retorno da competitividade brasileira tendem a aliviar o quadro. Caso as condições de colheita melhorem e a competitividade brasileira continue avançando, o ajuste tende a ocorrer por meio de uma base mais fraca nos Estados Unidos e de menor sustentação aos contratos futuros mais distantes. Esse cenário também depende da ausência de aceleração significativa das exportações norte-americanas, que até o momento não demonstram força suficiente para sustentar uma valorização mais prolongada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.