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21/Sep/2026

Preços da soja estão em alta no mercado interno

O preço do farelo de soja segue em alta no Brasil e nos Estados Unidos, por conta da forte demanda global pelo derivado. A participação do farelo na margem de processamento das indústrias voltou a aumentar, atingindo novas máximas. Vale lembrar que, entre julho e agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) disponibilizou algumas unidades de armazenamento de farelo de soja em certos estados brasileiros, o que pode ter limitado o interesse de venda das indústrias. O preço do farelo de soja registra alta de 1,9% nos últimos sete dias. Na Bolsa de Chicago, o vencimento Out/26 do farelo de soja tem avanço de 5,2% no mesmo período, para US$ 406,42 por tonelada. Deste modo, com base nos preços da soja, do farelo e do óleo de soja negociados na região de São Paulo, a participação do farelo de soja na “crush margin” é de 58,67%, a maior desde o dia 24 de outubro de 2024. A margem da indústria é de R$ 293,99 por tonelada, alta de 5,5% nos últimos sete dias.

Na Bolsa de Chicago, considerando-se os futuros da soja, do farelo e do óleo de soja, a participação do farelo na margem da indústria é de 52,4%, a maior desde o dia 13 de fevereiro deste ano. Com isso, a “crush margin” tem avanço de 4,2% no período, a US$ 119,77 por tonelada. Segundo o relatório de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no dia 11 de setembro, embora a produção mundial de farelo de soja venha crescendo, com projeções recordes de 292,9 milhões de toneladas na safra 2025/26 e de 301,9 milhões de toneladas na 2026/27, o consumo e as transações globais também devem atingir volumes históricos. A China é a principal consumidora mundial do derivado, com volume estimado pelo USDA de 84,5 milhões de toneladas na safra 2025/26 (de out/25 a set/26) e de 86,85 milhões de toneladas na temporada 2026/27 (de out/26 a set/27), ambos recordes. Vale ressaltar que, embora as importações chinesas de farelo tenham aumentado, o país é um grande importador da matéria-prima para processamento interno.

Na União Europeia, principal importadora global do derivado, o USDA aumentou a importação da safra 2025/26 em 1% frente ao estimado até agosto, para 20,3 milhões de toneladas. Para 2026/27, a projeção subiu 0,5% no mesmo comparativo, para 20,4 milhões de toneladas. Também houve reajustes nas estimativas de demanda da Indonésia e do México. Segundo o USDA, a Indonésia deve importar 6,5 milhões de toneladas de farelo de soja na safra 2025/26, 1,6% acima do estimado no relatório anterior e 5,2% maior que o volume importado na temporada passada. Para 2026/27, as compras podem atingir um novo recorde, de 6,8 milhões de toneladas. No México, as importações devem alcançar os recordes de 2,95 milhões de toneladas na safra 2025/26, encerrada no mês passado, e de 3,15 milhões de toneladas na temporada 2026/27 (de set/26 a ago/27). O consumo mexicano também deve ser o maior da história, entre 8,3 e 8,67 milhões de toneladas. O consumo de farelo de soja nos principais países exportadores do derivado (Argentina, Brasil e Estados Unidos) também está em ascensão, cenário que eleva a disputa pelo produto e contribui para sustentar os preços.

As primeiras projeções da Conab para a safra 2026/27 indicam que a produção brasileira de soja deve ser de 181,64 milhões de toneladas, 0,7% acima da safra 2025/26, a partir de área de 49,31 milhões de hectares (+1,4%) e produtividade média de 3.683 kg/ha (-0,8%). A estimativa de produção da Conab está abaixo dos 186 milhões de toneladas projetadas pelo USDA. A Conab aponta que o processamento doméstico de soja em grão deve passar de 62,14 milhões para 63,71 milhões de toneladas, enquanto as exportações podem subir de 116,20 milhões para 117,98 milhões de toneladas. Como resultado, o estoque final brasileiro deve recuar de 9,17 milhões para 6,23 milhões de toneladas. O esmagamento tende a ser impulsionado pela demanda por óleo de soja para biodiesel em 2027. Para o farelo, a Conab projeta produção de 49,04 milhões de toneladas na temporada 2026/27, acima das 47,81 milhões de toneladas em 2025/26. Ao mesmo tempo, as exportações devem avançar de 26,13 milhões para 27,10 milhões de toneladas, enquanto as vendas no mercado interno podem passar de 21,4 milhões para 22,08 milhões de toneladas.

Com isso, o estoque final é estimado em 3,94 milhões de toneladas, abaixo dos 4,08 milhões de toneladas da temporada anterior. Os preços da soja também seguem em alta, devido à firme demanda, o que limita o retorno financeiro das indústrias. Segundo o USDA, embora a produção global de soja continue renovando máximas, passando de 429,41 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 442,35 milhões de toneladas na 2026/27, o consumo também deve crescer, de 430,64 milhões de toneladas para 442,44 milhões de toneladas. Com isso, a relação estoque/consumo final tende a diminuir, de 33,5% na safra 2025/26, o menor patamar desde 2022/23, para 32,2% em 2026/27, conforme cálculos do Cepea. Nesse cenário, nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 0,2%, cotado a R$ 162,02 por saca de 60 Kg, o maior valor nominal desde 21 de março de 2023.

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ é de R$ 154,95 por saca de 60 Kg. No dia 16 de setembro, especificamente, o Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná alcançou R$ 155,33 por saca de 60 Kg, o maior patamar nominal desde 17 de março de 2023. Nos últimos sete dias, os preços registram alta de 1,8% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,2% no mercado de lotes (negociação entre empresas). As estimativas de maior oferta, por outro lado, limitam as altas. Além da projeção do USDA de 186 milhões de toneladas para o Brasil em 2026/27, a Conab estima 181,64 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, o USDA projeta 123,42 milhões de toneladas, também um recorde. Nos Estados Unidos, o movimento de alta foi interrompido pelo início da colheita da nova safra. Segundo o USDA, até 13 de setembro, 6% da área de soja da safra 2026/27 já havia sido colhida. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Nov/26) registra recuo de 0,9% nos últimos sete dias, a US$ 13,19 por bushel. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.