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21/Sep/2026

El Niño forte deve acelerar plantio da soja no Brasil

A primavera de 2026 deverá criar condições mais favoráveis para o início do plantio da soja nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste, com retorno mais regular das chuvas e possibilidade de antecipação da semeadura em relação ao ciclo anterior. A projeção da Nottus Meteorologia indica que os volumes previstos para os próximos meses tendem a sustentar o estabelecimento das lavouras de verão, beneficiando também atividades pecuárias e a recuperação das pastagens. O cenário, contudo, será marcado pela atuação de um El Niño de forte intensidade, fator que amplia os riscos de excesso de precipitação no Sul e de irregularidade das chuvas em parte do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A estação terá início em 22 de setembro sob influência de um El Niño já consolidado no Pacífico equatorial, com temperaturas da superfície do mar superiores em mais de 2°C à média histórica.

Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam probabilidade de 98% de o fenômeno atingir intensidade muito forte ainda em 2026. A Nottus projeta que o El Niño permaneça ativo até o outono de 2027, prolongando seus efeitos sobre o regime climático da América do Sul. Para a produção agrícola, a expectativa é de condições mais favoráveis ao início da safra de verão (1ª safra 2026/2027) no Centro-Oeste e no Sudeste, após os atrasos observados no ciclo anterior em razão do retorno tardio das precipitações. Em outubro, as chuvas devem avançar pelo Centro-Sul do País e pelo oeste da Amazônia, enquanto novembro poderá registrar volumes elevados em áreas de Mato Grosso do Sul e São Paulo. Em dezembro, a previsão é de precipitações regulares no Centro-Oeste, condição importante para o enchimento de grãos da soja e o desenvolvimento do milho safra de verão (1ª safra 2026/2027).

A distribuição das chuvas ao longo do ciclo será um fator decisivo para o desempenho das lavouras. Embora o cenário inicial favoreça a implantação da soja e do algodão, uma eventual antecipação do encerramento da estação chuvosa poderá reduzir o potencial produtivo do milho de 2ª safra de 2027, especialmente em regiões mais dependentes da umidade do solo no final do verão. Na Região Sul, os modelos climáticos indicam precipitações acima da média durante a primavera, principalmente em Santa Catarina e Paraná, com possibilidade de volumes elevados também em áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O Rio Grande do Sul permanece sujeito à ocorrência de eventos extremos, embora sem expectativa, neste momento, de episódios semelhantes aos observados em 2023 e 2024. No Matopiba, a principal preocupação está relacionada à irregularidade das precipitações.

A previsão indica chuvas abaixo da média em parte da Região Nordeste, no norte de Minas Gerais e em áreas da Região Norte durante novembro. No norte de Goiás, nordeste de Mato Grosso e Vale do Araguaia, o risco está associado à maior variabilidade espacial e temporal das chuvas, o que pode elevar a necessidade de monitoramento das condições de umidade durante a implantação das lavouras. As temperaturas deverão permanecer acima da média em grande parte do Brasil. Os episódios de calor mais intenso e persistente tendem a se concentrar nas regiões Norte e Nordeste, enquanto no Centro-Oeste e no Sudeste as ondas de calor poderão ocorrer de forma mais pontual e menos duradoura. O cenário reforça a expectativa de que o El Niño influencie não apenas o início da safra 2026/27, mas também o desenvolvimento das culturas ao longo do ciclo, com impactos distintos entre as regiões produtoras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.