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21/Sep/2026

Biodiesel: B17 garantirá segurança do abastecimento

A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) defende o uso voluntário de biodiesel acima da mistura obrigatória de 15% (B15) como alternativa para reduzir a dependência brasileira de diesel fóssil importado e ampliar a segurança do abastecimento. A utilização voluntária de percentuais superiores ao B15 não depende mais de autorização prévia da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sendo necessária apenas a comunicação à agência. A possibilidade abrange transporte público, transporte ferroviário, navegação interior e marítima, frotas cativas, equipamentos e veículos destinados à extração mineral e à geração de energia elétrica, além de tratores e demais máquinas utilizadas em atividades agrícolas. A medida ganha relevância diante de relatos de restrições e atrasos na entrega de diesel a produtores rurais no Rio Grande do Sul, situação que amplia a preocupação com o abastecimento no início do plantio da safra de verão 2026/27.

A dependência das importações de diesel fóssil expõe o País a riscos de abastecimento e mantém parcela relevante da demanda vinculada ao mercado externo. A associação estima que o Brasil importe atualmente entre 20 e 25 navios de diesel por mês. Para setembro, a previsão é de aproximadamente 838 mil m³ de diesel importado, dos quais cerca de 80% teriam origem nos Estados Unidos. Nesse cenário, a entidade defende a adoção imediata do B17, com elevação de 2% na participação do biodiesel na mistura. Essa mudança acrescentaria cerca de 125 mil m³ por mês de biodiesel produzido no Brasil e permitiria reduzir a necessidade de importação em três a quatro navios de diesel por mês. A ampliação da mistura também reduziria a exposição do mercado brasileiro às compras externas e, segundo a associação, diminuiria os gastos associados aos subsídios concedidos à produção de diesel nos Estados Unidos. A medida teria efeitos sobre a agricultura familiar e o agronegócio, além de ampliar a demanda doméstica por biodiesel, a industrialização e a geração de emprego e renda.

Para viabilizar a mudança, a Aprobio defende que o governo federal utilize laudos técnicos de testes já realizados e acelere a avaliação dos efeitos de misturas superiores ao B15. A associação informa que estão em andamento testes para verificar desempenho, durabilidade e segurança de misturas que chegam a B25 e sugere a convocação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para avaliar a adoção do B17. A proposta ocorre em um momento de atenção sobre a disponibilidade de diesel para o setor agropecuário, especialmente com a aproximação do plantio da safra 2026/27. A combinação entre maior produção doméstica de biodiesel e menor necessidade de diesel importado poderia reduzir a exposição do mercado a restrições externas, fretes internacionais e oscilações de oferta. A ampliação voluntária acima do B15 aparece, assim, como medida de curto prazo defendida pelo setor de biodiesel, enquanto a eventual adoção do B17 dependerá da conclusão dos testes técnicos e de deliberação no âmbito do CNPE. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.